EDITORIAL

0
25
DR/TI
DR/TI

A dependência é uma praga na existência humana. Desde as dependências legais e socialmente aceites como o álcool, o tabaco ou os fármacos, às novas dependências como as drogas, todas elas escravizam e tornam o ser humano um farrapo sem vontade própria, vegetando à conta da substância que o atraiu, deu-lhe prazer durante um curto período e, depois, rapidamente, o dominou e tomou conta da sua existência.
O problema da toxicodependência é indissociável do nosso tempo e da nossa sociedade. Uma sociedade que agravou as desigualdades sociais, que vive uma profunda crise de valores, que se revela cada vez mais impotente em proporcionar perspetivas de futuro para os seus jovens. Uma sociedade debilitada com a fragilização e destruição das famílias estruturadas. Uma sociedade que promoveu o endeusamento do consumo e da vida fácil e que se deixou subjugar pelo império do materialismo. Uma sociedade em que impera a procura do prazer imediato e de sensações fortes e inebriantes. Uma sociedade em que a pessoa vale e é promovida pelo que tem e aparenta e não por aquilo que é. Uma sociedade que fez da competição, tantas vezes desumana, a condição do sucesso e que perdeu o sentido e a prática da solidariedade.
Numa sociedade assim a fuga para as dependências é um caminho tentador!
O Tribuna das Ilhas recupera hoje um estudo feito à situação das dependências nos Açores. É um estudo já com dois anos. Mas com conclusões preocupantes para todas as ilhas. E o Faial não escapa ao cenário sombrio: quase 35% dos jovens faialenses admitiu nesse estudo ter experiência de consumo de substâncias psicoativas.
Esta realidade obriga a interrogarmo-nos sobre o que se tem feito nos Açores e no Faial nestes domínios. Desde logo, no combate ao tráfico. Mas também nas áreas do tratamento e do acompanhamento médico-social. E que avaliação fazemos dos modelos adotados e dos esquemas de trabalho que se têm seguido? Temos tido sucesso? Impõem-se mudanças, correções? Com estes números de jovens que admitem consumos não se justificaria, como é sugerido na nossa peça, uma resposta específica dirigida aos comportamentos aditivos nos jovens? E os pais? Quererão ajudar-se mutuamente e ser ajudados nesta “descida aos infernos” que é ter filhos presos na toxicodependência?
Recuperar e trazer novamente à participação social um concidadão toxicodependente que o queira fazer é a esperança e o ânimo dos seus familiares e a justificação, só por si, de todo o trabalho que nesta área se possa fazer.
Neste, como em muitos outros domínios, não há nada pior do que a desesperança nas famílias e a incapacidade ou indiferença dos que as podem ajudar.

O MEU COMENTÁRIO SOBRE ESTE ARTIGO