Eleições Presidenciais 2011

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No próximo domingo, dia 23 de Janeiro, os portugueses vão às urnas escolher o próximo Presidente da República. Numa altura em que o país se debate com uma grave crise económica, que augura grandes dificuldades para os próximos anos, as medidas impostas pelo Governo trazem mil e uma dores de cabeça às famílias. O aumento dos impostos, os cortes sociais e a previsível subida do número do desemprego são apenas algumas das razões que fazem com que os portugueses coloquem as dúvidas sobre o próximo chefe de Estado no final da sua lista de preocupações. Juntando a este facto o desencanto generalizado para com a classe política, bem como as estatísticas dos últimos actos eleitorais, é fácil prever que a abstenção parte como candidato favorito nesta corrida.

As últimas eleições presidenciais decorreram em Janeiro de 2006. Na altura, tratava-se de escolher o sucessor de Jorge Sampaio, que se despedia da Presidência depois de dois mandatos consecutivos. Cavaco Silva entra na corrida, depois de, em 1996, ter perdido Belém para Sampaio. Desta feita, beneficia da divisão à esquerda: o PS apoia Mário Soares, e pelo BE e PCP concorrem Francisco Louçã e Jerónimo de Sousa, respectivamente. A divisão intensifica-se com o surgimento da candidatura independente de Manuel Alegre. A vitória de Cavaco surge sem surpresas: a grande surpresa de 2006 foi, no entanto, a candidatura de Alegre que, sem o apoio formal do PS, reuniu a simpatia de muitos portugueses e suplantou Soares, acabando por ser o principal adversário de Cavaco. A segunda volta esteve iminente, no entanto o candidato apoiado pelo PSD e pelo CDS-PP acabou por reunir 50,54% dos votos. Alegre ficou-se pelos 20,74%, enquanto que Soares não foi além dos 14,31%, revelando-se o principal derrotado do acto eleitoral. Jerónimo de Sousa reuniu 8,64% dos votos, Francisco Louçã 5,32% e Garcia Pereira 0,44%.

Nos Açores, no entanto, o cenário foi um pouco diferente: a vitória de Cavaco foi mais expressiva (55, 67%), e Soares levou a melhor sobre Alegre, reunindo 19,73% da votação, enquanto que o independente se ficou pelos 16,55%. Na Região, ao contrário do que aconteceu a nível nacional, Louçã suplantou Jerónimo nas intenções de voto.

No Faial, o cenário foi semelhante ao resto da Região, com excepção da votação dos candidatos do BE e do PCP: na ilha Azul, Jerónimo foi ligeiramente mais forte que Louçã.

Cavaco venceu em todas as freguesias da ilha, e Soares foi segundo em 10. Apenas nas freguesias da Matriz, Praia do Norte e Ribeirinha Manuel Alegre conseguiu mais votos do que o candidato presidencial então apoiado pelos socialistas.

Em 2006, a abstenção a nível nacional ficou-se pelos 37,4%. Na Região, no entanto, o abstencionismo foi maior, atingindo os 56,96%. Quanto à ilha do Faial, a abstenção foi ligeiramente inferior ao todo regional, ficando-se pelos 50,46%.

No próximo domingo, a escolha faz-se entre seis candidatos: o actual Presidente da República, Cavaco Silva, concorre a um segundo mandato, apoiado pelo PSD e pelo CDS-PP. O seu grande adversário é Manuel Alegre, que desta feita reúne parte da esquerda, com o apoio do PS, do BE e do PDA. O PCP avança com Francisco Lopes, enquanto da sociedade civil surge a candidatura de Fernando Nobre. A estes, juntam-se Defensor Moura, independente, e José Manuel Coelho, apoiado pelo PND.

Para garantir a eleição à primeira volta, o candidato mais votado terá de deter mais de 50% dos votos. Caso isso não aconteça, os dois candidatos mais votados partem para uma segunda volta, agendada para 13 de Fevereiro.

Esta campanha fica marcada por duras trocas de acusações, principalmente entre Alegre e Cavaco, despoletadas sobretudo pelo caso BPN.

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