A Vida é o bem mais precioso que existe na Terra. Infelizmente todos os dias somos assolados por brutais e chocantes notícias ou imagens em que o desprezo pela vida humana nos impressiona e comove, tanto em cenário de conflitos armados, atos terroristas, assaltos, crimes de vária ordem, massacres, linchamentos, de entre tantos outros atos violentos e desprezíveis perpetrados pelo ser humano.
Mas tu, José, partiste vitimado por um brutal e chocante acidente a bordo do navio Gilberto Mariano, no porto de São Roque do Pico, quando, na noite de 14 de novembro, ao fim de um dia de trabalho, regressavas ao teu lar, para o aconchego da família e convívio dos amigos.
Como se sabe os acidentes são eventos inesperados que ocorrem de modo não intencional e, para a maioria destes, não há uma explicação lógica ou racional. Neste caso não sei se será bem assim mas não me compete a mim nem aqui aprofundar ou especular sobre tal.
Ao contrário da violência acidental que te vitimou, tu não eras um ser violento ou radical. Não eras um ser perfeito. Nem há ninguém perfeito. Todos têm as suas virtudes e as suas fraquezas. Tu eras um homem bom, pacifico, disponível, alegre e bem-disposto. Feliz com a vida e com os outros, em particular com a família e os amigos.
Andavas eufórico com a tua recente licenciatura em Gestão/Finanças Empresariais e já trabalhavas afincadamente numa pós-graduação em Gestão Autárquica e Modernização, na Universidade Aberta.
Esperava ver-te no Amor da Pátria, num baile de Carnaval, “em noite de fantasias”, envergando a tua capa académica e de viola caída ao ombro à boa maneira do universitário boémio.
Sei que pensavas em novos projetos e desafios para juntar à tua conhecida atividade e participação cívica na área desportiva e autárquica.
O teu inesperado desaparecimento não deixou ninguém indiferente, atordoou-nos, tanto pela pessoa que eras como pelas circunstâncias da triste e brutal ocorrência de que foste vitima.
A surpresa foi grande e a consternação e a solidariedade foram maiores.
Disso foi prova o imenso número de pessoas que participaram nas tuas cerimónias fúnebres. Foram muito bonitos e sentidos os momentos musicais que os teus amigos interpretaram no decorrer da missa na igreja Matriz. Sei que ficaste feliz e que sorriste.
Nestes dias, para além da tristeza e da dor própria do momento e da relação de proximidade que tínhamos, por razões de vária ordem, houve outras coisas que me incomodaram.
Uma delas foi que no decorrer da longa e inquietante noite do acidente, cheia de dúvidas e incertezas, com muita informação contraditória, tudo se foi sabendo por amigos, conhecidos ou pelas redes sociais e em momento algum, dessa longa noite, houve por parte das várias entidades envolvidas nesta dramática ocorrência qualquer contato ou informação à família. Desconheço os procedimentos mas certamente que haveria, nas circunstâncias deste trágico acidente, alguma entidade com competência para o ter feito. É pelo menos estranho, não é verdade?
Outra foi o ter acompanhado a grande maioria das notícias, senão todas, e nunca ter visto escrito ou citado em qualquer órgão de comunicação social, nomeadamente dos sedeados na tua terra, o teu nome. Todas as notícias diziam, e cito: “um passageiro que se encontrava a bordo…” ou “acidente que resultou na morte de um passageiro…”. Sei que este passageiro não tinha qualquer título público mas tinha nome. Chamava-se José Norberto dos Santos Silva, mais conhecido por todos por Zé Norberto.
Não se escolhe hora para nascer ou para morrer e aquela foi a fatídica hora para abandonares a tua ainda curta vida.
Termino por aqui. Mais palavras para quê?
Repousa em paz. Vamos recordar a tua alegria de viver e estarás sempre presente na nossa memória.











