Revolução do 1º de dezembro 1640. Outras revoluções, batalhas, guerras, aconteceram. Sem cravos. Datas históricas. Na realidade os tempos eram outros. Andava tudo na linha. Lutas contra o inimigo. Lutas internas bem mais raras . Lutavam os guerreiros e os reis não ficavam sentados no trono a ver a banda passar. Ou a estudar processos de branquear capitais. Aderiam, combatiam igualmente. Muitos deles. Corrupção era um vocábulo desconhecido. Amor à Pátria. Confiança. Não greves. Não manifestações. Não troikas. Desnecessário. Respeito mútuo. Sucessões ao trono. Filhos, irmãos, parentes. Normalmente. Sem falcatruas. Era a monarquia.
Outubro dia 5, 1910. Começa o fim da macacada. Primeiro bem definida, depois em sulcos compridos. Como diria o poeta. A história foi-se degradando. Lentamente. O amor à Pátria com o andar dos tempos foi-se volatilizando. E mais e mais. Não trono. Poleiros. Palacetes e palacetes aqui e além. Grandes verbas vindas não sei donde. Verbas perdidas não sei onde. As sucessões de antigamente esfumaram-se. Mãozinhas enfiadas na urna ( o nome foi bem escolhido uma vez que aquele gesto dá a sentença final.) Cruzinha indicando o preferido. Tudo muito sórdido. Todos iguais. Só as coleiras diferentes. Cofres vazios. Moeda com pernas viaja para outros países. Tadinhos dos governantes que nem notaram. Estavam fazendo nova negociata. Ou os palhaços a reclamar. De vez em quando umas bocas. E na rede cai um milhafre mas logo se desenvencilha. E continua a trama. Exemplo para os vindouros. E tramado fica o povo. Bordalo, pena você não estar entre nós! E o povinho conclui que seus pés já nem se podem erguer. É a república.
O que aqui escrevo não tende a criticar nada nem ninguém. Até acho graça aos carnavais fora de época que se organizam por aí fora, chamados manifestações e que terminam zerados. Sempre! Sabem qual é a razão que leva os governantes a entrar em ebulição quando veêm algum manifestante tentar subir os sacrossantos degraus que levam à assembleia, quando afinal a explicação é simples. Dada a miséria que grassa ou que envolve os governantes deste país, não há verba para pôr em condições a dita escadaria que está degradada, em vias de provocar algum trambolhão e eles, os donos e senhores da assembleia não querem ver os manifestantes fazer doí-doí . Só eles se sujeitam a isso. Pobrezitos! Será um sofrimento mas sabem que precisamos deles e sacrificam-se por isso e por o grande amor que nos tem.
As coisas que eu sei!
Aqui vou deixar umas dicas que mostram a diferença entre monarquia e república. Aquela sempre foi mais interessante que esta. Sumptuosidade dos reis, rainhas, príncipes e princesas nada tem a ver com a monotonia de ministros e presidentes. Os reis deslumbram com os seus trajes esplendorosos , a sua aparição pública é um regalo para os nossos olhos. Fazem capas de revistas, majestosos, um deslumbramento. Há livros com histórias de reis, rainhas, príncipes e princesas que encantam as crianças.
Agora na república o que tem para nos deslumbrar? Nada. Será que alguém já elogiou as fatiotas deles? Qual o glamour que eles conseguem passar para nós ?As revistas e jornais fazem capa raramente, a não ser por motivos que todo o mundo sabe. Já alguém leu um livro infantil falando da filha do primeiro ministro ou do presidente? Não existe. Capa de revista tem gostos diferentes e não falam deles. Plantam lá o pessoal da casa dos segredos e que se lixe todo o resto. A televisão fala dos governantes quando aparece um escândalo e olha lá que aí tem audiência. Caso contrário, lá vem a Teresa Guilherme e os concorrentes. Mundo cão!
Agora Xanana Gusmão. O homem e a metamorfose. O bicho, o casulo, a borboleta. Fato, gravata, glamour. À maneira. Um homenzinho. Exterior-mente. Não conseguimos ver o resto. Nem com radiografia. Só temos uma dica. E foi ele que a deu. Falou não ter conhecimento do processo daqueles portugueses obrigados a abandonar o país dele, porque estava fazendo coisas. Coisas? Que coisas? E a nossa imaginação a cem à hora. Escolhendo estilista? Estudando gramática? Aulas de dicção? Xanana, criatura, fale, fale, tire-nos deste imbróglio! Vamos tentar entendê-lo. Já o fizemos antes. Custou, mas não o mandámos embora. Contacte os nossos governantes. Eles estão sempre ao dispor de qualquer um feito você que apareça. Já receberam tantos! Até Lula da Silva! Não falava certo, mas veio travestido de Armani. Bem, atenção, esqueça Sócrates , porque ele no momento está ocupado, digo, num retiro espiritual que tem sido muito adiado. Venha. Não pense fazer depósitos no BES porque ele morreu. Foi mau, foi bom, no momento onde andará? São fases. Tudo por excesso de instrução. Muita matemática. Muita psicologia. Muita roubalogia! Não interessa nada. Não, Xanana, não se preocupe. O Sr R. Salgado está bem, obrigado. Lá se vai remediando. Um querido! Venha, venha, temos aqui o Coelho, o Cavaco e outros. Isto é um país de boa gastronomia. Vão dar-se bem. Mas rápido para os apanhar porque aqui o vento tanto sopra do norte como do sul. É o anti-ciclone dos Açores. Não explico mais para não o confundir. E você, Xanana não merece, está tão bonitinho…











