Emprego sim…trabalho não…

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Entrei naquele espaço comercial e deparei com a figura, sentada numa cadeira, frente à porta. Uma autêntica estátua. Mas era gente. Como não havia mais ninguém por ali, imaginei ser a pessoa empregada. Boa tarde! Nada. Dei umas voltas, encontrei o que desejava, olhei novamente a criatura. Quanto custa? Nada. Ora essa! Aproximei-me daquela coisa e constatei que respirava. Graças a Deus! 

Saí, disparada, procurei o patrão. Quem é aquele filho da mãe? Acertou, é isso mesmo. Está ali até cansar. É o que se pode fazer!

Fiquei pensando quantos “ cara pálida” existirão por aí fora. Fantoches da vida. Dinheiro sem trabalho. Comedores do alheio. Fazedores de crise. Na mira da indenização . Do fundo de desemprego. Da assistência social. De tudo aquilo para que não contribuíram, mas que sempre sonharam. É o cúmulo! Enoja! É um problema sem solução à vista. Um escândalo!

Seria interessante que os patrões a quem lhes sai na rifa uma avantesma daquelas, colocassem a dita cuja no meio do espaço, de pé, crivada de cartazes com os preços da mercadoria, depois de a ter enrolado em trapos, qual múmia. Até poderia obter algum lucro, uma vez que o cliente, curioso, ao aproximar-se para ver o espantalho, pensando no circo ou nas Ramblas, se enchesse de interesse pela mercadoria e comprasse algo.

E, assim a múmia daria um contributo mínimo, sem querer, para ajuda da despesa própria. E até se fartar, lá permaneceria, quem sabe, vendo a vida por outro prisma, sem atingir os fins desejados.

Como é que um país pode progredir, se a maior parte da população não produz? E não produz porque a vontade de trabalhar foi diminuindo, lentamente, depois a ritmo acelerado, até que zerou. É confrangedor.

Numa época em que a palavra crise, grassa, encontramos, mesmo em repartições públicas , empregados que, seguindo aquele exemplo, estão ali, corpo presente, atendendo com má cara, cara de quem se está nas tintas para nós.

Olhando para certos indivíduos, não nos enganamos, logo vemos que não tem cara de boa bisca. Estão ali plantados, como fazendo um favor. Só que eles nunca pensaram que, não fossemos nós, aqueles que procuram os seus serviços, o emprego deles iria logo para o caneco.

E depois admiram-se e barafustam ao ver surgir quadros negros de desemprego, desigualdade social, assaltos, roubos, tudo isso e mais alguma coisa! É que as luzes da ética, da consciência, da dignidade, apagaram-se. Foram-se. Nós não soubemos dar as mãos, não soubemos ser gente gostando de gente, independentemente de classes sociais, entendendo que todo o trabalho é importante e digno de respeito.

E mais não digo, se bem que houvesse muito para dizer. Sòmente para me penitenciar pela última crónica, que pelo tamanho descomunal, teve, por certo, o condão de levar qualquer um à loucura.

N.B. Não me perguntem mais o significado de TROIKA. Descodifico. TROIKA: TENTATIVA RELES OBLITERAR INDIVIDUOS  K  AGONIZAM. 

 

 

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