Falta de mão-de-obra e acessibilidades “estrangulam”
desenvolvimento do AL nos Açores
O primeiro dia dos trabalhos do 3.º Encontro do Alojamento Local dos Açores fica
marcado por uma opinião praticamente unânime, em diversos temas.
A falta de mão-de-obra especializada no setor do turismo e a escassez de ligações
aéreas ao exterior são dois dos fatores que impedem que o Alojamento Local (AL) se
desenvolva com maior celeridade.
No primeiro painel, subordinado ao “Transporte Aéreo e o Alojamento Local:
Conexão de Destinos, Impulsionando Negócios”, o Presidente da Câmara do Comércio e
Indústria de Ponta Delgada salientou que “não temos pessoas suficientes para se
formarem para o setor [do turismo]. Temos empregos e precisamos de mais gente”.
Mário Fortuna acrescentou que este é “um ponto de partida para termos imigração, o
que é positivo”, dada a escassez ou inexistência de mão-de-obra local.
O Presidente da CCIPD lembrou que o setor do turismo representa cerca de 20%
(160 milhões de euros) das receitas da Região (800 milhões de euros), sendo já um setor
com maior peso do que o setor primário.
Já o Presidente da VisitAzores salientou que o futuro do turismo na Região não
pode estar assente em companhias low-cost.
Luís Capdeville revelou que a VisitAzores está a “trabalhar para captar novas
companhias [aéreas] a voar para cá”, criando “mais frequências, mais voos no inverno,
mais concorrência e melhor preço”.
O Presidente do organismo responsável pela promoção turística do arquipélago
adiantou ainda que “há um trabalho de cada vez mais proximidade entre a VisitAzores e
a SATA”, já que “a SATA tem papel fundamental na Região”.
Para Capdeville, “a estratégia é continuar a trazer mais companhias dos mercados
emissores, dar-lhes condições para que, no inverno os números [de passageiros]
apareçam”, já que, “quanto maior a notoriedade do destino nos mercados externos, mais
fácil é de captar [passageiros].
Por seu turno, o Presidente do Grupo SATA afirmou que a companhia aérea
açoriana quer ajudar e vai ajudar o setor a crescer, mas para tal, é preciso que o setor
também ajude a SATA.
Rui Coutinho salientou que a companhia aérea “não está em fase de baixar preço,
mas vivemos num mercado concorrencial”, onde a competição é diária.
Questionado sobre a escolha de rotas, o Presidente do Grupo SATA esclareceu que
esta “tem a ver com os números de dormidas de passageiros que nos procuram
indiretamente. Fazendo contas, podemos chegar à conclusão se é ou não benéfico para a
SATA e para os Açores criar uma ou duas frequências diretas”.
A Itália foi um dos casos onde tal acontecer, tendo sido “assim que se criou a rota
Milão-Ponta Delgada.
No segundo painel do dia, houve espaço para partilha de experiências entre
proprietários de ALs de diferentes ilhas dos Açores.
Andreia Meneses, da Terceira, José Costa, do Pico, Vera Câmara, do Corvo e Forjaz
Sampaio, de São Miguel, foram unânimes num ponto: é extremamente difícil e por vezes
impossível encontrar mão-de-obra, independentemente da ilha, para fazer obras ou
pequenas reparações nos imóveis.
Além disso, a questão das acessibilidades esteve também em destaque, já que a
falta de voos prejudica, não só o setor do turismo, como também os setores de serviços
especializados, onde anteriormente era possível vir, por exemplo, à Terceira, prestar
serviços médicos num sábado e regressar ao continente do domingo, sendo que
atualmente tal não é possível.
Já no terceiro painel, dedicado à “Transformação Digital no Alojamento Local”,
foram inincialmente apresentadas a nova página da internet, disponível a todos, e uma
nova APP da ALA, dedicada aos associados.
A ALA passa a ter um novo website, com uma estrutura facilmente navegável e de
mais fácil acesso, bem como uma vertente de backoffice, acessível a todos os associados,
com vários serviços disponíveis.
Já a Diretora Regional do Turismo, na sua intervenção, afirmou que “a
transformação digital não é apenas uma tendência, mas uma necessidade”.
Rosa Costa salientou que, em 2024, tudo aponta para que o setor do turismo atinja
os mil milhões em receitas diretas, indiretas e induzidas.
A Diretora Regional apresentou o novo Portal do Turismo dos Açores, que “facilita
o acesso de turistas e investidores à informação turística”.
Rosa Costa adiantou ainda que o Projeto de Monitorização inteligente de fluxos
turísticos dos Açores, lançado a concurso, irá “acompanhar em tempo real a
movimentação de visitantes no arquipélago através de sensores, dados móveis e
inteligência artificial, com vista a melhorar a gestão do turismo, distribuindo fluxos de
forma sustentável, reduzindo a pressão sobre áreas sensíveis e otimizando a experiência
dos turistas”.
A Diretora Regional revelou também que a Certificação “Miosotis”, reconhecido
pelo “Global Sustainable Tourism Council”, está, a partir de agora, acessível ao setor do
Alojamento Local, além do Turismo em Espaço Rural.
À margem dos painéis realizados durante todo o dia, houve ainda espaço para
pausas onde o contacto entre os proprietários de ALs de todas as ilhas e a troca de
experiências enriqueceu este primeiro dia do 3.º Encontro do Alojamento Local dos
Açores.

















