Enganem-nos que nós gostamos!

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Sonia PAN

Sónia Domingos

A inflação define a subida dos preços dos bens e serviços produzidos e tem múltiplas causas. Uma delas é o aumento do gasto público, onde o Estado, que actualmente não pode imprimir moeda, aumenta a receita por via da tributação fiscal para fazer face à despesa, tributação que se reflecte nos custos da produção e consumo dos privados. Uma outra é o aumento real dos custos de produção das empresas, como sejam os salários, a matéria-prima ou a energia, bem como a subida de juros por empréstimos contraídos. Outra ainda é a redução na produção, seja por escassez de matéria-prima ou da força do trabalho, seja pela incerteza no mercado que leva a supor uma redução nos consumos, funcionando aqui depois a lei da oferta e da procura. Mais outra ainda é o hábito pelo qual periodicamente os preços sobem mais ou menos porque sempre ocorre assim. E, obviamente, podendo haver outras causas, como não podia deixar de ser, é de realçar a cartelização dos preços que é sempre uma tentação em determinadas circunstâncias, designadamente quando o poder de compra não cai drasticamente. Nenhuma destas é estanque ou ocorre isoladamente.

Neste último caso, os mercados são assim mesmo: oportunistas e pouco éticos. Atente-se que, se é certo que a redução na produção ou venda mundial de gás ou petróleo tem um impacto no preço desta matéria-prima, já não se percebe como e por que motivo o preço da electricidade, produzida eolicamente ou por barragens, com uma estrutura produtiva e uma rede de distribuição já instaladas, tem que ter um indexante às restantes fontes de energia e consequentemente agravar o seu preço. Puro oportunismo.

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