Europa: juventude e alterações climáticas

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Como ficou patente nas reações após o referendo sobre o Brexit grande parte dos jovens não acreditava que o resultado pudesse ser a vitória do “sim”. Daí, disseram muitos, não se terem mobilizado para o voto no “não”. A verdade, é que pese embora se registe uma elevada abstenção entre os jovens europeus, quer nos referendos ou eleições internas, quer nas eleições para o Parlamento Europeu, tal não significa que as gerações mais novas estejam de costas voltadas para a Europa. É certo que não há o entusiasmo cívico doutros tempos. No entanto, ao que indicam muitos estudos, entre os quais o eurobarómetro, os jovens europeus dão a continuidade do projecto europeu como certa sendo que parte do seu atavismo político parece resultar precisamente deste facto. Na verdade, grande parte dos filhos da Europa sem fronteiras não vislumbram o regresso das velhas barreiras. A este propósito, nunca é de mais realçar os resultados de programas como o Erasmus. O impacto é de tal ordem que se estima que nasceram fruto de relações que se iniciaram entre jovens Erasmus cerca de 1 Milhão de crianças. Uma espécie de geração de filhos de Erasmus que simboliza a União franca dos povos europeus.
É claro que para trazer os jovens para a participação política e eleitoral importa encontrar respostas para as suas preocupações e anseios. No eurobarómetro de 2018 os portugueses afirmaram que a Europa deveria discutir o combate ao desemprego dos jovens (61% dos inquiridos), a proteção social (52%) e a economia e o crescimento (51%). Paralelamente a estas questões surge o combate às alterações climáticas, e segundo um estudo do Banco Europeu de Investimento e do instituto de sondagens YouGov, publicado no final de 2018, não há ninguém mais preocupado com as alterações climáticas do que os portugueses. O inquérito, que conta com uma amostra total de 25 mil inquiridos, constata que 93% dos portugueses se dizem alarmados quando pensam no assunto, enquanto a média europeia se fica pelos 78%. E são também os portugueses que manifestam maior preocupação face à consciência de que a ameaça é já presente (80%). Uma preocupação comum à generalidade dos cidadãos europeus. 92 % dos quais consideram as alterações climáticas um problema “grave” e 74 % um problema “muito grave”. Quase nove em cada dez europeus consideram que é importante que os seus governos nacionais estabeleçam metas para aumentar a utilização das energias renováveis (89 %) e apoiem os esforços para melhorar a eficiência energética (88 %) até 2030. A grande maioria (79 %) também é de opinião que deve ser concedido mais apoio financeiro público à transição para energias limpas, mesmo que isso implique uma redução dos subsídios aos combustíveis fósseis.
Em tempo de discussão das propostas para o futuro da União Europeia e perante os desafios que se avizinham importa definir políticas que respondam às novas preocupações. Defender o Estado Social, característica fundacional da Europa, mas também configurar novas e corajosas abordagens à questão do aquecimento global parecem questões centrais. Até porque, por força do cenário político internacional, se não formos nós Europeus a liderar a batalha pelo combate às alterações climáticas talvez ninguém o faça.

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