Façam-me um favor: votem!

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Escrevo estas linhas como cidadã faialense envolvida numa campanha para eleições na terra que me viu nascer. Empolgada e empolgante, comecei esta campanha a medo, sem ter a perfeita noção das minhas capacidades e resistências. Penso que me superei. E aprendi. E de que maneira! Fico sinceramente impressionada com as nossas gentes. Simpatia e simplicidade não faltam. Sempre bem recebidos com uma palavra amiga. Até os nossos adversários nos cumprimentam respeitosamente. Sem “bocas” ou mal estar. Sabem porquê? Porque reconhecem em nós a verdadeira vontade de ajudar a nossa terra. Sem esperar nada em troca. Sem benefícios pessoais ou promessas falsas. Saber que isso é reconhecido por todos deixa-me verdadeiramente feliz. Mas aprendi muito mais. Constatei que muita das nossas gentes vive em dificuldades, seja por razões financeiras, ou de saúde, ou simplesmente porque a vida lhes trocou as voltas. Saí de muitas casas de coração apertado, com desejo de fazer alguma coisa, além de deixar uma palavra de conforto. Percebi que também isso me fez continuar, apesar do cansaço das pernas. Percebi que uma campanha é muito mais do que dar um papel ou lembrar a alguém o que estamos ali a fazer. É muito mais do que uma foto ou uma promessa vazia. Numa campanha real conseguimos compreender as pessoas e pormo-nos no lugar delas. Constatamos as suas realidades e procuramos soluções. A empatia está presente, pois quem se envolve verdadeiramente não pode deixar de a sentir. E não consigo ficar indiferente. Isso é impossível.
Engraçado que nunca pedi o voto a ninguém (se calhar fiz mal, mas não me importo). Com a confiança plena de quem desenvolve um trabalho sério, cuidado e verdadeiramente empenhado, pedi que lessem as nossas propostas, isso sim com muita atenção, e que fossem votar. Acima de tudo que compreendam a importância do voto. 
Quanto ao dia a seguir ao próximo domingo, seja qual for o desfecho, continuarei preocupada com o centro de resíduos e o lixo que por lá se espalha; continuarei revoltada com o abuso dos trabalhadores que nem um contrato de trabalho conseguem; continuarei solidária com os nossos lavradores e produtores locais e as suas lutas diárias; continuarei a pensar nas dificuldades financeiras da APADIF apesar do seu notável trabalho; continuarei a lembrar-me daqueles voluntários da AFAMA que passam duas horas por dia a cuidar dos nossos animais… Porque isto tudo é mesmo a sério. Isto não se esgota nem se apaga depois das eleições. Isto é para continuar.
Mas antes disso, façam-me um favor: votem!

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