Os eleitores do Faial e o respeito que merecemos

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1. De acordo com os indicadores da base de dados da PORDATA, cujas fontes são oficiais e certificadas, os eleitores recenseados no Faial eram, em 2016, 12.997, dos quais 6.306 eram homens e 6.691 mulheres. 
Para além do eleitorado faialense ser, portanto, maioritariamente feminino, mais de 2/3 do mesmo possuía idade superior a 30 anos. Os eleitores recenseados com 30 anos ou menos eram apenas 2.094.
Por outro lado, não deixa de ter significado a evolução verificada no número de votos em branco que quase duplicou entre as eleições de 1976 e 2013, e que desde 2005 vem crescendo constantemente, sinal evidente de que as candidaturas apresentadas não deram resposta às expetativas desses eleitores.
 
2. É já no próximo domingo que os eleitores do Faial serão novamente chamados a escolher os autarcas que querem ver à frente das suas Freguesias e da sua Câmara. As eleições autárquicas são, por tradição, aquelas que, comparativamente com outros atos eleitorais, mais mobilizam os cidadãos, que mais os motivam a participar e a fazer parte das listas e dos projetos que consideram ser os melhores e mais consistentes para a sua freguesia ou para a sua Câmara. 
 
3. Estas eleições no Faial realizam-se numa conjuntura muito especial em que, depois de 28 anos consecutivos de vitórias dos candidatos do Partido Socialista, muitos eleitores do Faial interiorizaram e compreenderam que essa longa permanência no poder gerou, entre outras coisas, lideranças locais fracas, subservientes, incapazes de fazerem valer os interesses e as reivindicações do Faial, tanto no contexto regional, como no contexto meramente partidário, onde as suas opiniões não são ouvidas nem tidas em conta. 
 
4. Às questões atuais que calaram fundo nas preocupações dos faialenses, designadamente a das acessibilidades ao Faial (serviço da SATA), a da ampliação da pista do aeroporto da Horta, a da implementação tardia do projeto RISE, juntaram-se outras situações mal resolvidas e mal explicadas como a do projeto que se quer impor à força e nas costas dos faialenses para o porto da Horta, a das inenarráveis obras junto à torre do Relógio, a forma como os vereadores da oposição são afastados do conhecimento prévio dos atos de gestão do executivo camarário e, a cereja no topo do bolo, a do impensável zelo da censura municipal que vedou o acesso ao Facebook da autarquia aqueles que discordam de alguma decisão camarária. 
 
5. Por isso, ouvi com particular expetativa e atenção a entrevista do atual presidente da Câmara à Antena 9, para procurar perceber de viva voz a sua posição e explicações sobre esses assuntos. E tenho de reconhecer que aquilo que ouvi me deixou perplexo e siderado: já há muito tempo que não assistia a um discurso tão desconexo, tão artificial, tão feito de lugares-comuns, numa confusão e deriva permanente entre assuntos, sem explicar nenhum consistentemente. Desde dizer que o estudo sobre a ampliação da pista do aeroporto será a sua “Bíblia” (colocando, assim, como convém, o assunto ao nível do religioso e da crença – pois nenhuma entidade lhe respondeu sobre o mesmo e quem podia e devia dar o exemplo em contribuir para o financiamento daquele investimento, o Governo Regional, foi o primeiro a colocar-se de fora… esquecendo, condenavelmente, os compromissos passados que assumiu) até ouvi-lo culpabilizar “os filtros” pela censura feita a quem discorda das decisões da autarquia, durante toda a entrevista tenho de reconhecer que nunca senti a segurança, o conhecimento e o domínio esclarecido dos “dossiers” que um candidato que ocupa o poder sempre tende a revelar nestas situações. E do decurso da entrevista acabei por reforçar a minha suspeita de que o tom reivindicativo que a espaços surgiu e a risível tentativa de demarcação da gestão da SATA não passaram de falsetes mal ensaiados para a campanha eleitoral, destinados apenas a enganar os mais distraídos. É que se “a SATA está sem rei nem roque” (como o candidato fez questão de repetir várias vezes) então impõe-se perguntar-lhe se não é o governo do PS que manda nela? E se não foi o governo do PS que, em março deste ano, renovou a sua confiança nesta “gestão sem rei nem roque” nomeando novamente o mesmo administrador? E era importante que se dissesse o que fez o PS do Faial e ele, como Presidente da Câmara, para que essa “gestão sem rei nem roque” não fosse reconduzida?  E os deputados do PS-Faial integram ou não o Grupo Parlamentar do PS que se pronunciou favoravelmente pela recondução do administrador desta “gestão sem rei nem roque”? 
Por isso, deste presidente recandidato não podemos esperar nada diferente quanto à defesa do Faial e, sobretudo, quanto a colocar os nossos interesses à frente das fidelidades partidárias. Não o fez durante três anos e os arremedos atuais que ensaia são fruto exclusivo, como se prova, do ambiente eleitoral…
 
6. O Faial precisa de ser recolocado no lugar que lhe pertence a nível regional. O Faial não resiste a mais quatro anos entregue a quem sempre tem posto a obediência partidária à frente de tudo. Por isso, é urgente darmos lugar a quem já deu provas de que pensa pela sua cabeça, de que decide olhando pelo interesse coletivo e de que está acima da fidelidade e da obediência partidárias. É urgente que o Faial tenha na liderança da sua Câmara o Carlos Ferreira!
Também para que nos respeitem e respeitem o Faial!
 
23.09.2017

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