Faleceu José Amorim

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No passado dia 13 de Janeiro, faleceu, em Santa Cruz das Flores, onde nascera e residia, com 74 anos de idade, José Amorim, que foi muito conhecido essencialmente como desportista. À família e aos amigos apresentamos sentidas condolências.

Nasceu na vila e concelho de Santa Cruz das Flores em 28 de Novembro de 1937, filho de José Lopes Amorim e de Teresa da Glória Teixeira de Amorim.

Depois de concluir o Ensino Primário, frequentou o Ensino Secundário, onde terá feito o exame do 1.º Ciclo dos Liceus.  

Desde muito jovem, foi admitido como funcionário do Tribunal Judicial das Flores, onde em 1979 entrou para o quadro como Escriturário, tendo sido promovido à categoria de Secretário em 1982. Aí acabou por fazer a sua carreira profissional donde veio a passar à situação de aposentado em 1997. Devido à muita experiência que tinha, era dedicado e competente, superando as poucas habilitações que possuía, e foi sempre muito prestável para quem precisasse dos seus serviços.

Sobretudo depois de se aposentar, exerceu, durante vários anos, as funções de Comandante da Associação de Bombeiros Voluntários de Santa Cruz das Flores, onde obtivera adequada aprendizagem, dedicando à Corporação todos os seus préstimos.

Todavia, foi no desporto que José Amorim mais se distinguiu, na modalidade de futebol.

Começou por ser jogador fundador da equipa da União Desportiva de Santa Cruz das Flores, que iniciou a prática desportiva do futebol em 14 de Julho de 1953, inaugurando nesse dia o seu equipamento em encontro realizado com o Sporting Clube das Flores, da vila de Santa Cruz, jogo esse que serviu também para a inauguração de obras que a Câmara Municipal acabava de fazer no respectivo campo. Com a saída do guarda-redes da equipa, Roberto Sousa, José Amorim, que até então havia alinhado a extremo-esquerdo, apesar da sua juventude, passou para guarda-redes da equipa. Na Vida Militar alinhou quase sempre a guarda-redes, quer em equipas militares, quer em equipas civis. Na cidade de Angra fez parte do Sport Club Agrense e na antiga colónia da Guiné, onde prestou serviço militar, atingiu elevado nível como guarda-redes, tendo jogado em equipas militares e equipas civis, Assim, jogou numa das melhores equipas da província, isto é, no Boavista da Guiné. Depois de passar à disponibilidade, apesar dos convites que teve para se profissionalizar como desportista, resolveu regressar às Flores, onde encontrava garantias mais estáveis de emprego e deixara a namorada Ernestina Clotilde Ramos Santos Amorim, de Santa Cruz das Flores, com quem veio a casar. Infelizmente enviuvou muito cedo, uma vez que a esposa foi acometida de uma doença fatal para a qual não encontrou remédio capaz.. 

Ao regressar às Flores, depois de organizar o Boavista, como continuidade do da Guiné, do qual guardava excelentes recordações, colaborou na organização do futebol da FNAT. Assim, o embrião daquela equipa deu lugar à fundação, em Novembro de 1965, do Centro de Recreio Popular Santacruzense, fundado em Novembro de 1965, sob a Presidência do Eng.º Amílcar Peixoto, competindo ao José Amorim organizar a parte futebolística. Para além de alinhar a guarda-redes, prestava-se a muitas outras tarefas inerentes à modalidade. José Amorim foi o melhor guarda-redes de sempre da ilha das Flores, e foi treinador, árbitro, dirigente e director desportivo, assumindo, portanto, diversas funções no desporto florentino. Deste modo, passou por várias equipas, pela selecção das Flores e pela selecções dos Açores que esteve na cidade do Porto a representar a FNAT. No Futebol José Amorim foi tudo. Para além do referido,  foi repórter e jornalista, seja para a imprensa, seja para a rádio, e, eventualmente, para a televisão. Com a sua decadência desportiva motivada pela lei da vida, o Boavista, que havia sido a melhor equipa das Flores e obtivera elevada quantidade de títulos, quer na ilha, quer no Distrito, foi decaindo e com ela decaiu todo o futebol florentino, tendo o profissionalismo desportivo acabado por dar a “machadada final”.

Mas José Amorim ainda encontrava tempo para se dedicar a outras actividades de interesse social, tendo pertencido à Mesa da Santa Casa da Misericórdia das Flores, à Direcção do Hospital e à Direcção de Sociedade União Musical e Cultural Florentina Dr. Armas da Silveira.

Por se encontrar bastante afectado de saúde, em 14 de Abril de 1911 teve de recorrer ao seu internamento no Lar de Idosos de Santa Cruz das Flores, já que carecia de cuidados assistenciais próximos, tendo acabado por falecer em 13 de Janeiro de 2012. O seu falecimento inesperado foi muito sentido em toda a ilha das Flores e noutras ilhas açorianas onde chegou a notícia desse facto, já que era muito conhecido em toda a Região. 

Embora possa ter omitido qualquer facto importante da sua vida, esta é a nossa homenagem prestada com sinceridade a um florentino (quase sempre meu adversário desportivo), que soube prestigiar a sua terra com grande entusiasmo e galhardia, fazendo bem aquilo que mais gostava de fazer. Na sua última sessão, a Assembleia Legislativa aprovou um voto de pesar pelo seu falecimento. Aos colaboradores deste trabalho os meus agradecimentos.

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Bibl: Jornal “As Flores”, de Santa Cruz das Flores, de 30-6-1953; Trigueiro, José Arlindo Armas, “Futebol na Ilha das Flores”, (1998), pp. 59 a 61, e 83, 87, 89 e 91, edição da Câmara Municipal das Lajes das Flores. 

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