Fast Psicologia

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Antigamente quando nos sentíamos perdidos, telefonávamos a alguém que tivesse o dom do GPS emocional e nos guiasse do fundo ao cimo do poço. Falo dos amigos, ou melhor do amigo certo para a ocasião.

Mesmo que o discurso do amigo soasse a circunstancial (porque na perdição, a audição diminui), lá seguíamos nós, devagarinho, precisando de conversar muitas mais vezes, até nos ouvirmos a nós próprios e redespertarmos quais belas adormecidas.

Hoje há mais opções: ir a um psicólogo ou psicoterapeuta, e durante uma hora fazer e molhar-se na sua própria borrasca, esperando perguntas cirúrgicas que nos façam pensar, assumir e agir, ou ajudas que vem sempre e no final, de nós mesmos. Para este método ser eficaz é preciso persistência, paciência para si mesmo, dinheiro claro, e noção mínima dos porquês que nos levaram ali. Ali é o lugar livre, onde não se julga, não se sentencia e muito menos se diz exatamente que porta abrir para não termos de nos fechar.

Também se pode optar por ir ao médico de clínica geral ou psiquiatra e tomar o que nos dizem para tomar. Não tem de haver química entre ninguém nem entre nós mesmos, a não ser aquela de forma e peso variável de que se faz cada comprimido. Aparentemente pode ser mais rápido e menos exigente e deseja-se que não haja recaídas.

E depois, depois há a fast psicologia das redes sociais, onde se fazem diagnósticos em sete pontos, onde se formatam personalidades num abrir e fechar de olhos, onde nos dizem sem problema nenhum o que somos, que aura temos, que cor combina connosco, que anjo nos protege, quem fomos na era Medieval, como está o nível de visão ou em que anovamos morrer (com lápide respectiva, claro está)

É fast, é de borla e pode ser feito em qualquer lugar desde que tenhamos net. É do best e não resolve coisíssima nenhuma. É a exploração de nichos que se podem transformar em bichos de sete cabeças para quem é mais suscetível. É o dizer aos quatro ventos sem saber a quem se diz, é a magia televisiva em palavras, como quando um locutor fala para milhões mas diz sempre “para si”. É realmente mágico pois é? São frases tidas como verdades, como se quem escreveu (diga-se que a maior parte nem é assinada) fosse um guru do comportamento.

Fast psicologia pode no entanto ser um bem, onde muitos se reveem e por segundos sentem que alguém, embora sem rosto, timbre ou expressão os entende. É a aldeia global e os padrões, logo a enorme probabilidade de acertar com muitos, dizendo coisas muito diferentes.

São os tempos modernos. Passamos do embaraço de um consultório para coragem de dizer a toda a gente e as coisas que se dizem são de “partir a rir”, como: “Outra vez com diarreia”. É verdade, eu li.

Eu gosto dos tempos modernos e deste lado da fast psicologia que nos faz rir, descongestionar, e pensar que há alguém que está pior que nós, naquele momento. Como boa resistente à mudança que sou, assumo e não dispenso o discurso aparentemente circunstancial e o riso, cara a cara ao vivo e a cores. Esses sim, têm em mim o efeito fast psicologia.

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