Feliz 2012

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É com este título nada original que me dirijo aos leitores do Tribuna das Ilhas e formulo votos para vós, para todos os não leitores e para todos os seres deste e doutros mundos de um ano em paz e harmonia, com saúde e com amor.

Tornou-se lugar comum, em algumas culturas, nestes dias desejar o melhor aos nossos amigos e mesmo aos conhecidos e adversários. Porque na época se recolhem as armas e se assume uma atitude pacífica perante a sociedade ou até, numa postura mais hipócrita, se pensa – como alguém disse – que bom é termos adversários felizes para deixarem de pensar em nós.
Como nos ensina Claude Riviere, as quatro pedras angulares de todo o sistema social, à luz da antropologia, são: o parentesco (nem sempre família), a economia, a política e a religião. Analisando cada um, constatamos que o parentesco existe, mas a família sofre mudanças profundas (algumas das quais desestruturam o próprio indivíduo), a economia esta em convulsão no mundo dito civilizado, a política precisa de rever os seus valores, princípios e mensagem ou este sistema sucumbira em breve, a religião tornou-se um conjunto de símbolos que cada grupo vai gerindo à sua maneira, mas que, tal como a política e a economia, na maioria das vezes não apresenta respostas práticas adequadas para os problemas concretos dos indivíduos.
Vemo-nos, neste contexto, agentes de mudança, numa urgência cada vez mais premente, que não raro nos desfoca da essência e nos arrasta para superfícies escorregadias e sem substância. A transformação é cultural e não existem manuais, por mais literatura publicada sobre o assunto, que nos ensinem a gerir as dificuldades individuais nem as colectivas.
As antigas formas de poder ainda operadas sob a influência colonial ressuscitam antes de se desmoronarem. Legitimidade, autoridade, poder e soberania confundem-se demasiadas ve-zes. No meio do Atlântico estas questões tornam-se mais evidentes, talvez porque a historia e a geografia nos deram lições seculares ainda persistentes na nossa memória.
Temos, portanto, um património de sabedoria (não confundir com conhecimento) que nos permite lidar com os desvios e com as influências centralistas de modo mais clarividente do que muitos outros ilhéus. Que ele (património) nos inspire para neste ano conturbado de 2012 seguirmos a nossa própria rota. E FELIZ ANO PARA TODOS!