Figuras, figurantes e figurões ou o reino da indecência

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“Coitarados!
Meninos, tiveram pouca mamã”.
Alexandre O´Neill

Senhores feudais ou servos da gleba, a ambição os cega e a vaidade os compromete.
Convictos e convencidos, querem convencer. Possuem a curiosidade dos intriguistas. As gaffes que cometem decorrem da sua infinita ignorância. Falhos de espírito como de escrúpulos, eles são o cúmulo da sandice e da falsidade. Cabotinos chico-espertos, gazeteiros indecorosos, hipócritas com ares compungidos, procuram causas permanentes para sustentar indisposições permanentes. Idiotas felizes, escrevem literatura verrinosa em que a insinuação torpe e a frase chula correspondem bem às suas intenções malévolas.
Estamos no reino da indecência. E no reino da indecência há de tudo: bons e maus, anjos e demónios, virtudes e defeitos, amores e rancores, afectos e quezílias, dedicações e indiferenças, solidariedades e hostilidades, lealdades e traições, heroísmos e cobardias… E há ressentimentos amargos, e há invejas odientas, e há revoltas surdas…
Esses dissolutos, que têm dado provas de completa incapacidade e até de absoluta falta de virtudes cívicas, julgam-se imperadores entrando triunfantes em Roma… Poltrões arrogantes, hábeis arranjistas, falseiam simplesmente os factos, mentem e injuriam com um desplante inaudito. Defendem uma democracia ampla para amplamente se locupletarem… Fazem insidiosos cálculos e refinadas hipocrisias. Insinuam para depois se impor.

Quando governam, governam-se… Dizem (e o que dizem descamba quase sempre para o disparate) que não são nem de direita nem de esquerda, pois que, ontem como hoje, há monárquicos ateus e republicanos religiosos…
Noutros tempos eles tinham requebros afadistados e usavam barbicha mefistofélica… Agora andam por aí, de fato e gravata, perfumados e escanhoados, de telemóvel ao ouvido, erráticos e enfáticos, vendendo a alma ao diabo…
E tudo isto porque quando “meninos, tiveram pouca mamã”, muitas carências afectivas, muitos devaneios, muitos caprichos e outras coisas que só o Freud é capaz de explicar.

Bem-vindos ao reino da indecência.

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