Figuras marcantes doutros Tempos

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“O Tio Urbano do Moinho”

Recordo, com profunda saudade, este cavalheiro singular, que impunha um certo respeito, quer pela apresentação jovial que, normalmente patenteava, quer pela clareza do seu trato afável e generoso.
Era uma figura vistosa, com o seu farto bigode branco, e um sorriso afável e franco, por vezes, escondendo alguma malícia.
Este prezado cavalheiro era moleiro de profissão e exercia a sua actividade diária num dos moinhos situados no Cimo da Lomba.
Dada a sua visível cordialidade, mantinha relações de amizade com uma “ plêiade de amigos” que constituíam um grupo especial e sólido que, acertadamente, poderia ser apelidado de “BonVivant ”.
Nos seus relacionamentos com essas amizades, não raras vezes cantava, ao som da velha viola, quadras bastante interessantes, entre as quais, achei por bem, salientar uma que era um pedido e, também, um agradecimento, na altura em que se angariavam dinheiros para construir a Ermida de São João da Estrada da Caldeira.
Ei-la, na sua originalidade:
– Uma esmolinha, uma esmolinha,
P´ra São João construir a Ermidinha.
– Muito obrigado, muito obrigado,
O São João há-de dar-lhe o pago
Era este cavalheiro um apreciador incondicional duma boa cavaqueira, que mantinha com os “amigos”, geralmente, quando regressava do moinho e com a particularidade de todo o grupo ser óptimo apreciador da “pinga e dum apetitoso petisco”.
Recordo-me, com saudade, de o ver, nas ruas da nossa cidade, sempre muito bem vestido, com a sua bengala fina e rodeado de algumas personalidades que o admiravam e, vastas vezes,o visitavam no seu moinho, durante o dia.
A propósito, nunca esquecerei que, certo dia em que cheguei ao moinho, na companhia da “Carocha”, (uma burra), carregada com sacos de milho, dei de caras com uma figura senhoril de alta roda.
Pois esse senhor era, nem mais, nem menos, o Senhor D. José da Costa Nunes, á data, Patriarca das Índias e, que, sentado num rasoira de alqueire, apreciava e louvava a soberba paisagem que, aquele lugar, se desfrutava.
O tio Urbano Moleiro, que há longos anos partiu para a Eternidade, legou-nos contudo, o património da sua memória, que perdurará vida fora, enquanto andarmos neste mundo. g

Setembro de 2017 

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