George Orwell

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TI

TI

«Enquanto escrevo isto, seres humanos muito civilizados voam sobre a minha cabeça, tratando de matar-me.
Eles não sentem nenhuma inimizade para comigo enquanto indivíduo. Só estão “a fazer o seu trabalho”, como diz o provérbio. A maioria deles, não tenho nenhuma dúvida, são boa gente e jamais cometeriam um assassinato na sua vida privada. Por outro lado, se algum me conseguir matar hoje também não terá nenhum pesadelo. “Estão a servir o seu país” e isso parece que os absolve de todo o mal.»

George Orwell em “The Lion and the Unicorn: Socialism and the English Genius”.*

 

Eric Arthur Blair (Motihari, 25 de Junho de 1903 – Londres, 21 de Janeiro de 1950), mais conhecido pelo pseudónimo George Orwell, foi um escritor e jornalista inglês com uma inteligência perspicaz e bem-humorada, uma consciência profunda das injustiças sociais, uma intensa oposição ao totalitarismo e uma paixão pela clareza da escrita. Apontado como simpatizante da proposta anarquista, a sua crença no socialismo democrático foi abalada pelo socialismo real que denunciou. Nascido numa família da classe média inglesa intimamente ligada ao colonialismo europeu na Ásia, George Orwell – não fosse o seu temperamento irrequieto e contestador – poderia ter se tornado, como seu pai, um obscuro burocrata da administração imperial. Mas os horrores da exploração colonial marcaram-no profundamente e, em 1927, decide embrenhar-se numa vida incerta de vagabundo, operário e escritor freelancer. Só duas décadas mais tarde, após inúmeras dificuldades pessoais e gravemente enfermo, Orwell enfim encontraria a consagração literária. O seu livro “1984” ** é um dos romances mais influentes do século XX. Lançado poucos meses antes da sua morte, é uma obra magistral que ainda se impõe como uma poderosa reflexão ficcional sobre a essência nefasta de qualquer forma de poder totalitário. O romance descreve um mundo de guerra pós-nuclear socialmente estratificado, governado por três superestados: Oceania, Eastasia e Eurásia. Conta a história de uma sociedade distópica em que todos são vigiados (o famoso Big Brother), pois todas as casas possuem câmeras e microfones. O Partido controla tudo e todos, e as pessoas não podem sequer ter pensamentos heréticos ou fazer qualquer crítica ao sistema, senão são presas e condenadas à morte. Esse é o mundo que vivem, e o protagonista é contrário a ele. Uma história que permanece actual e contemporânea, cujos termos, como “Big Brother”, se tornaram parte do quotidiano. “Orweliano” é agora um símbolo universal para qualquer coisa repressiva ou totalitária, e a história de Winston Smith, um homem comum para os seus tempos, continua a tocar os leitores, os nossos medos do futuro não são tão diferentes dos daquele escritor inglês, em meados de 1940. Quando George Orwell escreveu este romance, lançado em junho de 1949, foi concebido como ficção. Em 1944, três anos antes de o escrever e cinco antes da sua publicação, ele encaminhou a um certo Noel Willmett uma carta*** em que detalhava a tese do seu futuro livro. Orwell escreveu esta carta na sua casa, situada no bairro londrino de Mortimer Crescent, em 18 de maio de 1944. Duas semanas depois, um míssil V-1 alemão destroçava Mortimer Crescent. 

P.S. Uma tradução de Carlos Alberto Bárbaro desta carta está disponível na internet em: https://www.revistaprosaversoearte.com/carta-de-george-orwell-explica-1984/

*George Orwell “The Lion and the Unicorn: Socialism and the English Genius”. Pinguim Books.
** George Orwell “1984”. Antígona.
*** George Orwell: A Life in Letters. Pinguim Books.

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