Grupo de Teatro Sortes à Ventura homenageado no Dia da Escola

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O Dia Escola Secundária Manuel de Arriaga (ESMA) acontece todos os anos a 15 de maio, data em que em 1854 foi criado o Auto de Constituição definitivo deste estabelecimento de ensino.

Este dia é celebrado por toda a comunidade escolar. Este ano, ficou marcado por um corte de energia, que provocou algum atraso no seguimento do programa e  uma alteração no espaço, mas que não impediu que o mesmo acontecesse. 

Eugénio Leal, presidente do Conselho Executivo da ESMA, abriu a sessão solene destacando algumas atividades que se desenvolveram no âmbito desta celebração, como os Jogos Desportivos Escolares, que a ESMA ganhou este ano, e a presença de alunos da escola no concurso “Europa Quiz: Os Açores e a União Europeia”, no Dia da Europa, onde obtiveram o 2.º lugar.

O presidente destacou ainda o trabalho do grupo de teatro Sortes à Ventura, que este ano celebra as suas bodas de prata e que no âmbito destas comemorações recebeu um diploma de reconhecimento pela passagem deste aniversário.

Ilídia Quadrado, presidente do Conselho Pedagógico da ESMA, a caminho dos 20 anos de docência nesta escola, iniciou o seu discurso referindo que “ser educador é um dos desafios mais exigentes que se pode colocar a um ser humano”, tendo em conta que todos os dias os professores encontram uma “multiplicidade de indivíduos” que, com os seus diferentes perfis, colocam aos professores a árdua tarefa de ensinar.

Segundo a presidente, a missão do Conselho Pedagógico para o triénio que agora termina é contribuir para a aquisição de competências e formação de cidadãos responsáveis e participativos na sociedade. Neste contexto, ao longo do ano, o conselho tenta analisar, refletir e encontrar estratégias para que a missão possa ser concretizada. 

Para a docente, várias são as causas do sucesso ou insucesso dos alunos, mas o obstáculo mais evidente e preocupante é, no seu entender, a falta de motivação. Por isso considera que “só com o envolvimento e cooperação da comunidade escolar se pode ultrapassar esse obstáculo”.

A professora é da opinião de que é preciso trabalhar com os alunos, incutindo-lhes a formação como base do seu desenvolvimento como indivíduos e cidadãos, porque, no seu entender, um “aluno com objetivos envolve-se mais na aprendizagem”.

Ilídia Quadrado defende que o sucesso dos alunos só é possível se a sociedade em geral se envolver na escola e na formação dos mesmos: “uma sociedade que valoriza a escola está a plantar as sementes para poder colher frutos de sucesso”, disse, acrescentando que “este processo não é novo mas é cada vez mais pertinente e necessário”.

Opinião contrária tem a presidente da Associação de País e Encarregados de Educação, Nuna Menezes, que considera que os professores têm um papel fundamental e a responsabilidade no aproveitamento dos alunos. 

Nuna Menezes começou por referir algumas das atividades que a Associação de Pais e Encarregados de Educação tem vindo a promover, bem como algumas das dificuldades com que a mesma se depara, nomeadamente a falta de verbas e de sócios. 

A presidente falou ainda dos objectivos da associação para os próximos tempos, que passam pelo aumento de associados, que neste momento são apenas 42, num universo de mais de 900 alunos.

De acordo com Nuna Menezes, a Associação de Pais e Encarregados de Educação tem de ser uma voz “ativa, livre e isenta, mas também de defesa e de alerta; de denúncia e crítica”, pois a sua função “não é elogiar aquilo que já está bem, mas sim tentar de forma construtiva melhorar o que ainda está mal”. Nesse sentido entende que a ESMA “poderia ir mais além” e apontou o facto deste estabelecimento de ensino não conseguir obter bons resultados nos rankings nacionais e regionais, apesar de possuir infra-estruturas e um corpo docente de qualidade e um órgão administrativo estável. Neste contexto e contrariando a opinião dos professores de que é necessário a presença dos pais, a presidente defende que “o lugar dos pais não é na escola”. “Para nós cá virmos, sem ser para receber as notas dos nossos educandos, é preciso sermos convidados”, disse, acrescentando que “o papel dos pais não é estudar com os seus filhos e educandos”, até porque, no seu entender, muitos, mesmo que quisessem, não conseguiam. 

Apesar de considerar que o ensino é responsabilidade dos professores, Nuna Menezes defende que “os pais têm a obrigação de motivar os seus educandos para a importância da formação, de virem às aulas, de fazerem os trabalhos de casa e de serem assíduos e pontuais”.

A finalizar, apelou à escola para ouvir os alunos, para que estes, através das suas ideias, se tornem mais participativos e ativos e que desta forma também a escola se torne mais atrativa.

Nesta sessão, usou ainda da palavra a presidente da Associação de Alunos e o presidente da Câmara Municipal da Horta (CMH). João Castro felicitou a ESMA pela passagem de mais um aniversário e destacou o leque de atividades que este estabelecimento de ensino tem promovido no contexto do respeito e direito à diferença, na medida em que, sendo a única escola secundária, reúne jovens de toda ilha, o que “permite perceber o contraste de realidades sociais e humanas que naturalmente se cruzam na nossa comunidade e na nossa escola”.

O edil salientou que o município tem procurado ser parceiro deste processo de intervenção social em contexto escolar, em projetos como os Encontros Filosóficos, os intercâmbios ou a colaboração com os clubes escolares, entre outros. “São parcerias desta natureza que mostram o reconhecimento do papel das instituições na sociedade, dando também o exemplo de como se pode promover sinergias e rentabilizar projetos, mobilizando os mais novos e a comunidade”, disse.

João Castro reconhece o mérito e a dinâmica dos projetos desenvolvidos pela ESMA, referindo a parceria que a CMH tem com a escola no desenvolvimento de oportunidades para o setor primário em que o município cede terrenos para os alunos desenvolverem projectos agrícolas.

Entrega de Prémios 

O Dia da Escola serviu também para entregar o prémio ao “Aluno Melhor Companheiro” de cada uma das turmas do 12.º ano, atribuído pelo Rotary Club da Horta.

Este prémio foi entregue pelo arquitecto Martins Naia, do Rotary Club da Horta, a Sofia Azevedo Feitor, Damiana Melo, Nicolas Moniz de Sousa e Álvaro Melo Silva.

Também nesta sessão foi entregue um prémio à aluna Anabela Silveira, que venceu o concurso para a escolha da mascote da ESMA.

Destaque ainda para a atribuição, ao grupo de teatro Sortes à Ventura, do diploma de reconhecimento pela passagem do seu 25.º aniversário. O grupo de teatro, da responsabilidade de Victor Rui Dores, apresentou nesta sessão a sua mais recente peça, “O inverno nunca mais acaba e o verão nunca mais chega”. Antes da sua atuação, teve lugar a exibição do Grupo de Sopros da ESMA, que fez a sua estreia.

Sortes à Ventura e Rodrigo Alves Guerra Jr homenageados pelo Clube de Filatelia O Ilhéu

Nesta comemoração do Dia da Escola também o Clube de Filatelia O Ilhéu quis homenagear o grupo de teatro Sortes à Ventura pela passagem do seu 25.º aniversário, com o lançamento de um carimbo, de um selo e de um subscrito.

O clube apresentou ainda o primeiro volume da obra de Rodrigo Alves Guerra Júnior, cronista faialense que publicava no semanário O Faialense a secção “Atualidades”, da qual foi responsável entre fevereiro de 1900 e novembro de 1902. Este volume reúne as crónicas publicadas até março de 1901.

De acordo com o responsável pelo clube de filatelia, Carlos Lobão, este cronista, que assinava com o pseudónimo “Zero”, foi “uma das figuras que marcaram um tempo ímpar na história da cultura faialense e açoriana”.  

 

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