Histórias de Vida: António Nogueira – “Estabeleci-me aqui por causa de uma paixão”

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António Nogueira

A história da vida de António Nogueira foi movida a amor desde o início.
Natural do Porto, apaixonou-se por uma professora picoense e veio fazer vida nos Açores. Fixou-se no Faial onde se destacou pelos serviços prestados na área da optometria. As suas outras paixões – o cinema e o desporto – levaram-no a estender o seu papel de relevo na sociedade faialense também nessas áreas. Recorda com saudade a Horta efervescente dos anos sessenta, aos quais gostaria de voltar. Homem de iniciativas, foi o fundador da Associação Nacional dos Olhos, à qual presidiu, e um dos fundadores da União Profissional dos Optometristas Portugueses, no âmbito da qual rumou ao Vaticano para conhecer o papa. Por cá, foi um dos cofundadores do Futebol Clube dos Flamengos. Ao Tribuna das Ilhas, contou algumas das histórias mais marcantes deste percurso de vida.

Tribuna das Ilhas (TI) – O Sr. António Nogueira não é natural do Faial. Quando fixou residência nesta ilha, e por que razão o fez?
António Nogueira (AN) – Eu era viajante de ótica, representava o meu pai e vinha ao Faial no “Carvalho Araújo” e no “Lima”. Estive de 1962 a 1967/68 nas inspeções de recrutamento dos mancebos que iam para o Ultramar naquela altura, e eu fazia parte da equipa que vinha aqui, a São Jorge, Pico, Flores e Corvo e que tinha o Dr. Santos Graça como o médico que fazia as inspeções, e eu era para a visão.
Estabeleci-me aqui por causa de uma paixão. Apaixonei-me pela minha mulher numa viagem, ela era professora. Viemos para cá, casámos. Ela na altura estava a dar aulas no Alentejo, mas era muito difícil ter escola no Porto, estava tudo preenchido e ela não tinha possibilidade de ficar lá e disse que aqui nos Açores poderia ficar numa escola.
Nós casámos e viemos para aqui. Casei em 8 de dezembro de 1962 e minha filha nasceu na Piedade, a 28 de agosto de 1963, pois os meus sogros viviam lá.
A minha mulher não teve a sorte de arranjar escola e foi passando o tempo, e eu acabei por me estabelecer aqui com a Óptica Fayalense em 1963, na rua Conselheiro Medeiros n.º4.
Graças a Deus tive sorte. Ia a São Jorge, ao Pico, às Flores e ao Corvo, tirar as graduações. Depois as coisas começaram a evoluir, deixei de ir, mas tinha uma óptica na Madalena e aqui.
Estava sempre cheio. Cheguei a ter quatro funcionárias ao serviço.
Há quatro anos, depois do falecimento da minha esposa, fechei a empresa. Vivo agora com as saudades do passado.
TI – Na sua atividade sempre foi considerado como possuindo equipamentos atualizados e de topo. Como avalia, ao fim de tantos anos, o serviço prestado às populações nessa área?
AN- Tinha os equipamentos do melhor que havia. Eu julgo que foi o melhor possível, porque tinha brio na minha profissão, tinha a melhor aparelhagem que havia. Corri o mundo para participar em congressos. Procurava ir a todos os congressos internacionais que havia; não falhava nenhum. Aprendia sempre alguma coisa e também dava as minhas orientações e penso que agradava a todos. Era raro ter uma reclamação.

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    Bilhete de Identidade:

Nome completo: António Augusto Oliveira Nogueira
Data de nascimento: 29/11/1932
Naturalidade: Porto
Estado civil: Viúvo
Filhos e netos: Uma filha, Ana Paula da Costa Medeiros Nogueira; um neto, João Nogueira.
Desporto preferido: Futebol e Voleibol
Clube do seu coração: Futebol Clube do Porto
Filme de que mais gostou: Amor de Perdição
Livro preferido: Amor de Perdição
Música preferida: Fado de Coimbra
Cor preferida: Azul
Animal de estimação: Cão, embora, para mim, os animais têm todos a mesma dedicação.
Flor que mais gosta: Rosas
Virtude que mais aprecia: A sinceridade, a verdade
Defeito que mais o incomoda: A falsidade
Personagem histórica que mais admira: Mário Soares
Personagem histórica que mais detesta: As que me atraiçoaram
Lema de vida: A sinceridade