
A aposentação do Dr. Jorge Câmara e da Dra. Filomena Maduro, especialistas nas áreas de Oncologia e de Hematologia e Imuno-hemoterapia, respetivamente, veio provocar alguma preocupação por parte de alguns doentes e utentes do Hospital da Horta manifestada sobretudo nas redes sociais e provocou ainda um requerimento por parte dos deputados eleitos pelo Faial do PSD/Açores.
Entretanto, a administração da unidade hospitalar já falou aos jornalistas, no sentido de esclarecer que “não serão perdidas valências no nosso hospital e que estas duas áreas estão salvaguardadas bem como os pacientes destas especialidades”.
Recorde-se que os deputados do PSD/Açores eleitos pelo Faial denunciaram esta semana que o hospital da Horta ficou sem médicos nas áreas de Oncologia, Hematologia e Imuno-hemoterapia, especialidades consideradas “essenciais”.
Em requerimento enviado à Assembleia Legislativa dos Açores, Carlos Ferreira e Luís Garcia salientaram que a saída destes profissionais – ocorrida a 10 de fevereiro por aposentação –, “apesar de previsível, deu-se estranhamente sem ser garantida a sua substituição com óbvias perturbações para os serviços e para os doentes, não só do Faial, mas também de outras ilhas”.
“O especialista em Medicina Interna com formação em Oncologia assegurava sozinho, desde há alguns anos, a assistência na área da Oncologia médica. Este médico aposentou-se há cerca de dois anos e fez um contrato com o hospital que vigorou até ao passado dia 9 de fevereiro. A médica que assegurava o serviço de Imuno-Hemoterapia e prestava apoio na área de Hematologia também se vai aposentar, tendo o dia 9 de fevereiro sido o seu último dia de trabalho”, referiram.
Segundo os parlamentares do PSD/Açores, tratam-se de “serviços de grande sensibilidade e alguns mesmo indispensáveis ao normal funcionamento do hospital, que deveriam merecer do governo e do conselho de administração do hospital da Horta outro tipo de atuação”.
“Pode estar em causa, entre outros aspetos, a segurança e a continuidade dos tratamentos aos doentes oncológicos, o atraso no início de novos tratamentos, o acompanhamento de muitos doentes na consulta da área de Hemato-Oncologia, a continuidade da acreditação do Serviço de Sangue e o stock de sangue do hospital para fazer face às emergências e urgências”, sublinharam.
Carlos Ferreira e Luís Garcia pretendem que o governo regional justifique “a saída destes dois médicos do hospital da Horta sem ser garantida a sua substituição” e explique quais as diligências levadas a cabo para os substituir.
Os deputados do PSD/Açores querem que o governo regional explique ainda “como estão a ser garantidos os serviços e os tratamentos que até agora eram assegurados por estes médicos”.
Face a isto, João Morais e Rui Suzano, do Conselho de Administração do HH, chamaram os jornalistas para garantir que “já foram tomadas medidas para que os serviços sejam assegurados até que estes dois profissionais sejam substituídos.”
De acordo com João Morais, “o especialista em Medicina Interna com formação em Oncologia já estava aposentado há dois anos, estando no entanto a prestar serviço no regime de contratado, contrato que entretanto renunciou. A médica que assegurava o Serviço de Imuno-hemoterapia e que prestava apoio na área de Hematologia viu o seu pedido de aposentação ser aprovado, pondo assim termo a sua carreira profissional no Hospital da Horta.”
“Os serviços nestas duas áreas continuam com a vinda de especialistas de outros hospitais, nomeadamente o especialista do Hospital de Ponta Delgada. A única interrupção aconteceu nas consultas de oncologia que serão repostas a partir da próxima segunda-feira”, adianta, esclarecendo ainda que “ no que diz respeito ao Banco de Sangue e à Hematologia, o presidente do Conselho de Administração assegura que o serviço voltará à normalidade em março com especialistas que já vinham fazer a substituição destes dois médicos que agora se aposentaram.”
“Esta não é, de todo, uma situação definitiva, mas dá-nos a margem de manobra para que possamos tratar da parte burocrática respeitante à abertura de concursos e respetivas contratações”, realça.
A administração do Hospital está já a preparar a saída do especialista em obstetrícia, Dr. Luís Decq Mota que comunicou que deverá aposentar-se no mês de agosto.
João Morais, explicou ainda aos jornalistas que esta situação já estava acautelada, pois em 2016 foi possível inscrever quotas que permitiriam a abertura dos procedimentos normais para a substituição destes profissionais. Neste momento, e visto que as quotas caducam todos os anos, a administração aguarda que a tutela volte a perguntar pelas necessidades do Hospital da Horta para que se volte a incluir estas duas especialidades e para que agora, depois da saída definitiva destes dois profissionais, se possa avançar para o recrutamento de dois novos médicos. MJS
Neste momento, o Hospital da Horta tem 23 especialidades e, nos últimos três anos, aumentou o seu quadro médico em mais de 30%. Ou seja, desde 2013 entraram 11 novos médicos no HH e saíram apenas 2.















