Igualdade nas Diferenças e nas Diferenças Igualdade

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As críticas relativas ao Plano e Orçamento 2012 para a Região Autónoma dos Açores começaram mal os documentos foram distribuidos. Pensei que, em tempo de crise, com todas as medidas de austeridade que o Governo da República tem introduzido – umas previsíveis, outras não – os partidos que o apoiam (ao Governo da República) no Continente, compreendessem, seguindo o mesmo princípio, algumas das reavaliações feitas nos Açores, umas tantas repriorizações, um novo sentido do crescimento económico, apostado essencialmente na sustentabilidade social e em medidas para minimizar o seu impacto junto dos cidadãos mais afectados pela crise.

Enganei-me. As mesmas pessoas/partidos que afirmam ter o Governo da República de eliminar os subsídios de férias e o de Natal em 2012 e proceder a outros cortes imediatos e continuados que afectam o tecido social, vão retrair a economia e colocam aquela sombra de desesperança no rosto de tantos portugueses, essas mesmas pessoas/partidos quando olham para o Plano e Orçamento para 2012 elaborado pelo Governo Regional sustentam de imediato que devíamos ter mais investimentos e que faltam um campo de golfe, um estádio Mário Lino, um novo quartel dos bombeiros, e mais meia dúzia de investimentos, qual deles o mais reprodutivo, só para o Faial.

As medidas troikanamente justificadas são apenas as do Governo da República. O Governo Regional deve também cumprir, não isolar a Madeira, pagar solidariamente a dívida da outra Região Autónoma e a do Continente, não questionar o tratamento e as atitudes como o não pagamento às Casas do Povo, o estrangulamento da RTP Açores e outros que tais, e ainda… – aqui é que reside o meu assombro! – investir mais em obras não absolutamente indispensáveis no momento actual.

É evidente que todos lutamos pela nossa terra e é saudável ambicionar mais para o Faial e para os faialenses. Tem sido esse o caminho socialista, embora não dê tanto nas vistas como outros que se autopublicitam e se afirmam como os únicos paladinos do Faial. Atenção! A Autonomia não deve viver da guerrilha entre as ilhas ou a sua essência começa a estiolar e a perecer. E que na comparação entre os Açores e o Continente ou a Madeira, a visão partidária não cegue a ponto de verem na igualdade diferenças e nas diferenças igualdade.

Tudo o que há a fazer é ter um pouco de bom senso no meio desta crise mundial. É certo que ela nos constrange profundamente, mas para a sua eclosão contribuimos muito pouco aqui nos Açores. Não sou eu quem o afirma, é o estado das nossas finanças, é a credibilidade granjeada com um esforço que tem alcançado um notável equilíbrio entre o investimento reprodutivo ou necessário, a coesão e a solidariedade social, a preservação ambiental, a  qualificação da nossa gente, o desenvolvimento que nunca colocou em causa a estabilidade.

Felizmente os açorianos têm governantes à altura das circuntâncias, que tanto disseram não a Sócrates e a Catroga como dizem a Passos Coelho, a Miguel Relvas ou a quem quer que venha querer ferir a Constituição, o Estatuto Político-Administrativo, a Autonomia, em suma: os Açores. Como diz o Presidente César, em primeiro lugar os Açores e os açorianos, em segundo lugar os Açores e em terceiro ainda os Açores. Não temos dois pesos e duas medidas para avaliar o Governo da República e o Governo dos Açores. E não confundimos o amor à nossa terra nem à nossa gente com o aplauso ao Governo da República e a exigência sem fronteiras ao Governo dos Açores. Em cumprir essa tarefa, compraz-se, ao que parece, o maior partido da oposição. 

 

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