Início Artigos de opinião Maria Antonieta Avellar Nogueira Já estamos a arder… Srs. Presidentes!

Já estamos a arder… Srs. Presidentes!

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A crise avança, a passos largos, e, medida a medida, vão-se tapando os incontáveis buracos que nos deixaram…, e que ainda hoje aparecem, à medida que se limpam os cantos à casa, fazendo vir ao de cima a verdade, e o quanto esbanjaram… nas nossas costas!

Longe ainda está o tempo onde se possa estancar de vez essa corrente de compromissos assumidos, e que nos trouxeram à presente situação económica, que nos envergonha lá fora… pelos menos aos portugueses dos quatro costados.

Pena que ainda há muito boa gente que não encarou a realidade, e ainda continua nas nuvens… pensando que ainda vivem no tempo das vacas gordas, e que a sua cadeira de boy & girl ainda é facto consumado e vitalício.

É bom acordarem para a dura e triste realidade que os seus pares nos deixaram, até porque eles próprios contribuíram, e ainda contribuem para o agravamento desta crise económica, que primeiro era global, depois europeia… e agora, à medida que se vai levantando a carpete, é que se descobre e vê “o muito lixo varrido para debaixo do tapete”, durante os últimos anos de governação socialista, e que afinal, é genuinamente português.

Já foi suficientemente mau e doloroso, assistir à derrocada de um país democrático, onde a força de uma maioria, legal e sufragada, ignorou os avisos daqueles que tinham os pés bem assentes na terra.

Insistir e prolongar esse esbanjamento do erário público, consciente e persistentemente, já configura crime público.

À medida que a crise toca o bolso de cada um, cresce, e bem, a onda de revolta, e a vontade de ver julgados os verdadeiros responsáveis, que, com sorrisos e mentiras, nos conduziram ao fundo do poço.

 

CMH

Após 22 (vinte e dois) anos de governação socialista (com uma mãozinha da CDU), vem a “nossa” Câmara gritar “Aqui del rey”, que não temos dinheiro… Ai que temos que fechar serviços… Ai que não nos pagam… sendo certo que, mesmo com o que têm para receber, muito devem ainda… e não é de agora!

Mais grave!

A gestão socialista do nosso Município deve milhões, sem ter obra feita…

Então, onde gastou o que deve?

Num imenso estado social, crivado de sorrisos e apertos de mãos, entre beijocas e danças, ao som de Vangelis.

 

De nada valem fazer-se Orçamentos anuais, que, mês a mês se alteram e desvirtuam, para transferir verbas das rubricas essências ao desenvolvimento económico do Município, para o supérfluo e acessório, só porque dá votos, porque ficam bem na fotografia, que, daí a uns meses, entrará pelas nossas casas dentro… todas, com a imagem do Sr. Presidente (agora até mais do Vice-Presidente, já em campanha de estágio para a próxima eleição, antevendo-se já o “esperado e justo descanso” do actual líder lá para os lados da Marcelino Lina – o nosso parlamento regional.

E até para não desgastar a sua forte imagem… não se hesita em “usar” as crianças e jovens, para virem à praça publica, falarem do que não sabem nem sonham… apenas, e porque é desde pequenino é que se torce o pepino… na convicta esperança da descoberta de novos “talentos”, que assegurem esta triste e pesada herança.

Mas algo não percebemos de toda esta lamentação, ficando-nos a dúvida se existe ou não dinheiro.

Ou se não existe dinheiro para algumas coisas, mas para outras… nunca falta!

Admite-se que possam encerrar alguns serviços como o teatro e as piscinas, ou reduzir os horários da recolha de resíduos ou da visita ao nosso Cemitério.

E ao mesmo tempo, disponibilizam-se 7.500 euros para o fogo de artifício da passagem de ano, se… se… a Câmara do Comercio e Indústria da Horta avançar com os restantes 7.500 euros.

Em resumo: os vencimentos estão assegurados, encerram-se ou reduzem-se alguns serviços, mas dinheiro para queimar… é o que não falta!

Será caso para dizer que já chegámos ao tempo de cortar os dedos, para se salvarem os anéis!

Lamentável, e inacreditável!

 

CCIH

Assim, fica a parceira – Câmara do Comercio com o encargo de 50% do fogo de artifício para o nosso Réveillon…., bem regado a champagne… se houver dinheiro para o de 2011-12!!!

Mas também nesta Câmara de gestão (a)politica, o dinheiro não abunda…, ou melhor, as dívidas acumulam-se de evento para evento… e os dias são cada vez mais difíceis.

Então, como fazer?

Como sair desta situação embaraçosa, em que, por incrível que pareça, a sua parceira privilegiada – a CMH a colocou… inadvertidamente?

Dinheiro vivo não há, certamente por falta de pagamentos das inúmeras candidaturas aprovadas(?).

Aqui, como na CMH a culpa é sempre dos outros, daqueles que não pagam, seja o Governo da República, seja o Governo Regional, mesmo quando esses governos não sabem que devem!?

Mais uma vez não há dinheiro para alguns eventos, mas há sempre para outros, por cá ou pela Galícia, para a Arte Floral ou para a Pastelaria, para Rallies ou Motards, para

Bom, mas como fazer, como chutar a bola, como passar esta “batata quente”, e a quem?

Nada de mais nobre, do que “convidar” os empresários…., “dar-lhes a honra e a oportunidade” de participarem nestes “festejos loucos de cegos surdos”, para que possam ficar para a história como aqueles que contribuíram de forma altruísta e desinteressada em “tão nobre e mui leal” serviço à cidade da Horta.

 

EMPRESÁRIOS

Em tempos assumidamente difíceis, eis a oportunidade por que tanto esperavam: queimar dinheiro!

Esta seria uma justa recompensa, depois de todo o esforço que o Estado, a Região e o Concelho têm desenvolvido para apoiarem a sua actividade… em extinção.

No Comércio Tradicional, não existe regulamentação do mercado, porque não é legal(?), mas já é legal definir-se quantas farmácias existem e a que distância, quantas camas e hotéis existem por ilha / concelho, ou pagarem-se indemnizações para o abate de licenças… dos taxistas às cotas leiteiras.

O Centro Histórico aguarda há décadas pela Reabilitação Urbana, que poderia contribuir e muito para a sua maior atracção, desde o alindamento ao estacionamento, das esplanadas à vida nocturna…

A centralização das compras dos Organismos Oficiais, em mega centrais de compras, onde tudo se compra incluindo aquilo que não se precisa, onde se compra demais aquilo que não se consegue gastar,  e o onde se compra mais barato mas depois nem serve os objectivos previstos.

Os prazos de pagamento ultrapassam tudo o que é razoável, incluindo os próprios limites legais que se impuseram… para cidadã ver, mas que não se cumprem.

Pior ainda estão aqueles que, já tendo fornecido bens e serviços, estão impedidos de os facturar (contra a lei fiscal…), porque pura e simplesmente estão impedidos de o fazer pelas entidades contratantes, que avançaram com a despesa, sem a necessária autorização legal / cabimento orçamental.

Estes são só alguns dos aspectos genéricos que definem a selva que nos rodeia, e onde o salve-se quem puder, consentido e até incentivado por diversas entidades oficiais, tem vindo a conduzir os empresários, e o comércio tradicional em particular, às presentes dificuldades…

Para além destas, “convidar” os empresários em dificuldades a “contribuírem” para 50% do fogo do artifício, é uma falsa oportunidade, um presente envenenado, uma vez que, não tendo a necessária disponibilidade financeira para o fazer, estão impedidos de o fazer… e ainda correm o risco de ficar com o ónus da sua não realização.

Obrigado, mas oportunidades destas, devem ser reencaminhadas às Grandes Centrais de Compras, às Grandes Superfícies, e àqueles que contribuem para a desregulação do nosso mercado, criando assimetrias regionais e locais.

Mas mesmo sem fogo, os empresários já há muito estão a arder…, Senhores Presidentes!

Ou será que estão demasiado ocupados, e ainda não deram por isso?

 

                                                                                     Contributos, para

                                                                         [email protected]

 

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