IL considera tráfego local “essencial ” no transporte de mercadorias interilhas

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Fonte: Iniciativa Liberal 

O cabeça de lista da Iniciativa Liberal, pelo círculo eleitoral dos Açores, às eleições Legislativas do próximo dia 30 de janeiro, Pedro Ferreira, defendeu, esta quinta-feira, que as empresas de tráfego local são essenciais na prossecução de uma eficaz política de transporte marítimo de mercadorias interilhas, acusando o Estado “de interferir” com a iniciativa privada “de forma inaceitável” e denunciando a intenção da Região em retirar a concessão atribuída à empresa TMG (Transportes Marítimos Graciosenses) na zona portuária da Praia da Vitória.

Após visitar as instalações e embarcações daquela empresa de tráfego local e de reunir com a sua administração, no Porto Oceânico da ilha Terceira, Pedro Ferreira denunciou que “esta empresa que presta um serviço fundamental de abastecimento de mercadorias a todas as ilhas do grupo central, está a ser convidada pela Portos dos Açores, a abandonar as suas instalações no final deste ano 2022”.

Para além disso, o candidato do Iniciativa Liberal apresentou ainda aquele que entende ser o “mais que provado” melhor sistema de transporte marítimo de mercadorias de e para os Açores e interilhas, assumindo que a Região deve ter duas zonas logísticas de entrada de mercadoria vinda do exterior – os portos de Ponta Delgada e da Praia da Vitória – sendo a distribuição interna de mercadorias asseguradas pelas empresas de tráfego local.

“Os TMG’s são um exemplo paradigmático de como o Estado não pode interferir em tudo e de como o Estado, não pela definição clara de uma política de transportes, mas pela indefinição clara quanto a essa política de transportes de mercadorias, interfere com a iniciativa privada. Os TMG’s prestam um serviço fundamental de abastecimento às ilhas do grupo central e estão quase que empurrados pela Região a terem que deixar de fazer o seu trabalho”, denunciou.

“Estão aqui mais de meia centena de postos de trabalho, muito bem remunerados; estão aqui muitos milhares de euros investidos, sem qualquer apoio público, nomeadamente agora em toda a rede de frio, mas os TMG’s estão a ser convidados a abandonar, no final de 2022, este espaço (que é o único nos Açores com características próprias para esta operação de tráfego local, uma vez que têm um cais dedicado, um terminal de cargas associado e espaço contíguo de receção de mercadorias)”, acrescentou.

Para Pedro Ferreira “o Estado só tem que definir, rapidamente, a política de transporte de mercadorias e deve deixar de interferir com um serviço público, prestado por uma empresa privada, que não recebe qualquer apoio público”.

O candidato liberal indicou ainda outra “exemplo de interferência do Estado com os privados”: “Quer os TMG’s, como os transportes Parece (que ligam São Miguel a Santa Maria), como a empresa Barcos do Pico (que assegura as ligações no triângulo e com as ilhas do grupo ocidental), durante anos não renovaram as suas frotas, porque levaram com um Governo Regional a dizer-lhes que ia investir dinheiro da Região a construir navios para transporte de passageiros, viaturas e carga rodada. Ora, como é que uma empresa privada arrisca investir milhões de euros em renovar a sua frota, quando tem um Estado todo-poderoso a dizer-lhe que vai investir o dinheiro de todos nós em barcos públicos, que farão concorrência à iniciativa privada? Neste momento estamos nisto. Numa indefinição de política e as empresas de tráfego local andam sem saber o que fazem quanto aos investimentos essenciais de renovação das suas frotas”.

Pedro Ferreira, que defende um sistema de transportes assente em duas portas de entrada e saída da Região (Ponta Delgada e Praia da Vitória) com a distribuição interilhas a ser assegurada pelas empresas de tráfego local (porque é mais rápido e mais barato para todos), diz que a Iniciativa Liberal quer chamar a atenção para o facto de “o Estado só ter que fazer o que lhe é essencial (educação, saúde, justiça, segurança, negócios estrangeiros e defesa), deixando tudo o resto para os privados, que é que geram riqueza. As pessoas têm que perceber que não podemos continuar a fazer política prometendo dar tudo a toda a gente e depois interferir e tomar conta de tudo e de toda a gente”.

O candidato liberal pelos Açores considerou ainda que, “durante anos”, os governos regionais e nacionais “andaram a enganar as pessoas com as teorias dos hub’s logísticos e dos portos de abastecimento de GNL na Praia da Vitória… Tudo isto é tanga! Andamos, há anos com este discurso sobre o porto da Praia da Vitória e o porto da Praia da Vitória está a definhar e a Região a colocar as empesas privadas fora do porto da Praia”.

Referindo que “até as grandes superfícies comerciais já estão a contratar serviços às empresas de tráfego local, porque a média de entrega de um contentor a ilhas como Graciosa ou São Jorge é de três meses com os navios que vêm diretamente do exterior, enquanto que nas empresas de tráfego local é de três dias”, o cabeça de lista da Iniciativa Liberal diz querer esclarecimentos urgentes “sobre os interesses que estão subjacentes à vontade da Região em retirar do Porto da Praia da Vitória a empresa TMG’s”.