Indicador: Construção

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Para uma tomada de decisão de um investidor ou de um gestor público, as fontes estatísticas são a sua ferramenta base, as quais, sendo fidedignas, permitem organizar, planear, legislar, dar orientação de futuro com a frieza dos números.

Estes números devem igualmente servir de comparação. Haverá determinados indicadores de que, por exemplo, o Faial esteja melhor do que determinadas ilhas e do que a média regional; nesse caso, o procedimento a adotar consiste em determinar quais as ações que se deve continuar a desenvolver para manter ou aumentar essa prestação honrosa.

Esta acção também se deve refletir pelo lado contrário; caso haja indicadores estatísticos de que estejamos abaixo da média regional, deve-se procurar saber o seu porquê e quais as medidas necessárias para inverter tal situação menos positiva.

Hoje trago um indicador que costumo consultar no sítio do Serviço Regional de Estatística dos Açores – a construção – e dentro deste, o da venda de cimento por ilha e o dos edifícios licenciados, pois são indicadores que dão a pulsação económica duma região, mas centro obviamente a atenção na ilha do Faial, comparando-a com outras ilhas.

Sim, podem alguns não gostar da construção, nem do cimento e do betão, mas o desenvolvimento de uma economia está intimamente ligado à construção civil e a estes indicadores, ou seja, quanto maior o consumo de cimento, mais saudável está a economia dessa ilha e quanto maior o número de licenças de habitação, mais atrativo é o território onde se encontram.

Ora, estes dois indicadores estão muito abaixo do desejável há alguns anos, principalmente após a reconstrução, tão baixos que, comparativamente, a ilha do Pico, com menos 1000 habitantes que o Faial, tem maior número de licenças de habitação e consome mais cimento.

Fazendo uma breve análise, podíamos assobiar para o lado e dizer que depois da reconstrução o Faial ficou com um parque habitacional renovado, justificando assim esta situação.

Nada mais errado! Estes números quase insignificantes são muito preocupantes para a economia da ilha do Faial que, como se sabe, não tem muitas oportunidades de gerar valor acrescentado bruto, quase diria que se compararmos a economia ao corpo humano, a construção representa o pulmão, isto é, um órgão que oxigena muitos outros.

A construção é uma actividade económica que utiliza meios inertes produzidos na ilha, utiliza meios de transporte que são consumidores de partes, combustíveis e serviços, dinamiza o comércio de materiais, mas principalmente é empregadora de centenas de postos de trabalho que, com este cenário de pouco consumo, estão verdadeiramente ameaçados.

Ainda há muito para fazer, muitas oportunidades que têm de ser desbloqueadas, há que ter a noção de que a construção é o setor em que se aposta em conjunturas de dificuldade, com exemplos conhecidos a nível mundial.

A cidade da Horta tem mais de 100 imóveis muito degradados (porque não direccionar as políticas de habitação para a cidade?), ainda não temos zona industrial em expansão (apesar de já ter servido para várias campanhas), não temos saneamento básico (que será para os de fora!?), não temos variante à cidade (com oportunidades de edificação, como se verificou, por exemplo, em S. Gonçalo, em Ponta Delgada), muitas freguesias não criaram o seu centro (estão iguais), ainda há necessidade de habitação social…

Os eleitos executivos locais não podem arranjar desculpas, pois nas mesmas condições há quem, em termos comparativos, tenha maior consumo de cimento e maior número de licenças. Assim, em vez de respostas para desculpar a sua incompetência, têm é que arranjar soluções e rapidamente, senão esta ilha vai continuar a definhar.

Estes indicadores são um cheque mate ao plano director municipal, ao plano de urbanização e restante burocracia do licenciamento, que é desmotivadora do investimento.

Em resumo, fazendo um pequeno diagnóstico a estes preciosos indicadores no contexto económico da ilha do Faial, chega-se à conclusão que o setor vive momentos difíceis, que as oportunidades de investir estão bloqueadas, que os políticos executivos eleitos criaram entraves ao desenvolvimento do setor e, consequentemente da ilha, e não são pró-activos, com tomadas de medidas para inverter a situação, limitando-se a arranjar desculpas para encobrir a sua incompetência e, por último, que o povo faialense, infelizmente, é um povo brando com estes políticos…

 

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