Isolados

0
18
TI

TI

O título pode induzir o leitor a pensar que este artigo fala sobre o isolamento a que o Faial está sujeito devido à diminuição de ligações aéreas e de lugares, mas, porque vivemos numa época em que quase todos os dias somos surpreendidos, hoje focamos um outro assunto.
É sabido que algumas pessoas veem as coisas pela sua perspetiva, talvez por não terem capacidade de se colocar no lugar dos outros, e nesse caso até é desculpável; talvez porque querem promover uma ideia que serve os seus interesses, e nesse caso pode ser compreensível; ou talvez porque querem distorcer a realidade dos factos, e neste caso é absolutamente lamentável.
Na semana de 15 a 19 de outubro, no plenário do Parlamento dos Açores, o Partido Socialista optou por ficar sozinho em metade dos diplomas apreciados. Se aos diplomas juntarmos o voto de congratulação do PS pelo Orça-mento de Estado, que em alguns órgãos de comunicação social foi classificado de “voto de subserviência” ou de “peça política de mau gosto”, então constatamos que a bancada socialista ficou sozinha em mais de metade das votações com expressão política.
No decorrer de um desses momentos, um destacado deputado socialista afirmou em jeito de comentário sobre o resultado: “Lá está novamente a oposição isolada!”.
É uma perspetiva, a oposição ficou isolada em mais de 50 % das votações.
Mas para se perceber a perspetiva, importa relembrar que a oposição na Assembleia Legislativa tem 5 forças políticas.
São 5 forças políticas, algumas com ideologias diametralmente opostas, que na interpretação socialista, ficam “isoladas” quando decidem votar juntas num determinado sentido que não aquele que a maioria socialista quer.
Esta situação faz lembrar aquela história da mãe que foi assistir ao primeiro desfile do filho como soldado e, reparando que estava a marchar ao contrário dos outros, gaba-se às amigas: “Estão a ver? Só o meu filho é que está a marchar certo! Os outros estão todos errados!”
É uma situação caricata e até humorística, pois é incomum só uma pessoa estar certa e todos os outros estarem errados.
Assim se percebe que a perspetiva do Partido Socialista que se instalou e se habituou tão confortavelmente ao poder, que não quer ver outra realidade é, de facto, muito distante da opinião que a população tem perante uma mesma situação.
É esta visão limitada e esta tendência de interpretar os dados a seu favor, que justifica as palmas que se batem ao vice-presidente do governo quando anuncia a solidez das contas da região, apesar de todos sabermos o enorme buraco das empresas regionais.
Também é esta a forma de estar do Partido Socialista e do seu Governo Regional que dá cobertura aos escândalos que se vão sucedendo nos Açores.
À luz desta perspetiva alimentada e distorcida pelo ópio do poder, as interferências na Unidade de Saúde da Ilha do Pico que mereceram aceso debate na Assembleia Regional, foram somente uma leitura errada das cinco forças políticas que constituem a oposição parlamentar açoriana e que ficaram assim “isoladas”.
Ao som desta narrativa, moldada para tentar mudar a realidade, as gravíssimas irregularidades na ARRISCA, que recebeu dinheiros públicos indevidamente e cujo relatório foi “abafado” durante meses, sendo entretanto a sua presidente nomeada diretora regional, foram um exagero dos cinco partidos que não subscreveram a posição maioritária de uma única força e que, por isso, ficaram “isolados”.
E perante a insistência em tentar formatar a leitura dos acontecimentos em seu benefício, até o mais recente caso das interferências de um secretário regional e da presidente de um hospital, no desvio de um helicóptero para dar prioridade à familiar dessa mesma presidente em detrimento de um bebé de 13 meses, foi somente uma situação “normal”.
Diz-se que “o maior cego é aquele que não quer ver!”, mas é preciso olhar para as coisas como elas são e não como nos tentam impor.
É lamentável que, perante todos os escândalos e desastres desta governação, se veja o Partido Socialista a colocar valores morais de lado e apenas a pensar em manter o poder, usando uma narrativa que apenas visa socorrer o Governo Regional, em detrimento dos interesses dos Açorianos.
Infelizmente, assim continuará a estratégia do Partido Socialista e do seu Governo Regional até ao dia em que os Açorianos se fartarem e decidirem dar uma oportunidade a um novo líder e a um novo projeto para os Açores e para todos, mas mesmo todos, os Açorianos.
Como declarou um dia Abraham Lincoln: “Pode-se enganar a todos por algum tempo; pode-se enganar alguns por todo o tempo; mas não se pode enganar a todos para sempre!”

O MEU COMENTÁRIO SOBRE ESTE ARTIGO