João Madruga Ávila apresenta “…e da lava brotou o pão”

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“Este livro conta histórias que me foram contadas pela minha esposa que, no verão e enquanto solteira, passava as férias no Lugar do Monte. É uma homenagem aos nossos antepassados, aos quais a vida foi muito madrasta”, explicou João Madruga Ávila na noite do lançamento do seu terceiro livro “… E da Lava brotou o pão”.
A mais recente obra deste picoense, radicado no Faial há largos anos, foi apresentada sexta-feira na Biblioteca Pública e Arquivo Regional João José da Graça, por Fernando Menezes.
A obra, composta por 16 capítulos, aborda vários temas, desde o Espírito Santo, o Entrudo e o Natal, mas também a festa da matança, as vindimas, o cultivo e a apanha do milho.
O livro referencia as vivências de uma família dos finais dos anos 40 e seguintes, cujos nomes fictícios transportam às memórias do imaginário local do Monte, na freguesia da Candelária, concelho da Madalena, no Pico. “Naquele tempo as pessoas padeceram muito para conseguirem tirar da terra os proventos que esta lhes negava”, explica João Madruga Ávila.
Aos jornalistas o autor disse ainda que “para além de todo o padecimento de quem ficou e trabalhou a terra, este livro fala ainda dos mais jovens que tentaram a todo o custo fugir deste tipo de vida quer para o Faial quer para a América”.
O autor considera que “transpor para o papel estas vivências não foi difícil porque eu próprio também as vivenciei. É uma forma de dar a conhecer aos mais novos aquilo que os mais velhos passaram e como se vivia.”
João Madruga Ávila, natural das Lajes do Pico, foi um dos fundadores e diretor do jornal O Estímulo, do Externato Particular das Lajes do Pico, tendo sido também correspondente, em S. Jorge e no Faial, do jornal O Dever, colaborando ainda em jornais do continente e dos EUA, de entre os quais este semanário se inclui.
Fernando Menezes, apresentador desta obra disse aos presentes “li este livro de uma ponta à outra e gostei imenso porque, e apesar de ser um pouco mais novo do que o João Ávila, vivi algumas daquelas situações o que me despertou uma certa nostalgia das minhas memórias”.
“Trata-se de vivências e afetos que se cruzam no pensamento de quem vive nestas ilhas do Canal”, afirmou Fernando Menezes que disse ainda “tenho a sensação de que para os mais novos, muito do que aqui se conta, poderá parecer pertencer à pré-história, face à diferença que existe para com os dias de hoje, pelo menos na cidade, no entanto não é assim e curiosamente muitas coisas ainda se passam de forma muito semelhante.”
“É um livro que transporta cheiros e sabores: a pão de milho, a carne assada, a canja de galinha, torresmos, morcela, massa sovada e a folares, bem como ao queijo que se guardava na arca de milho e ficava seco e difícil de partir”, relembra Fernando Menezes que acrescentou ainda que “este livro é também um romance, no sentido restrito, que começa na adolescência de uma das personagens principais e acaba mesmo em casamento depois de uns desencontros, mas a meu ver esta narrativa romanceada serve apenas como fio condutor da história, ou como justificação do essencial do livro que é afinal a recuperação preciosa e bastante exaustiva de usos, costumes e tradições”.
 

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