José Manuel Bolieiro quer uma mudança qualitativa para os Açores

0
9

O presidente do PSD/Açores defendeu ontem uma mudança qualitativa para a Região, assente “numa estratégia política que potencie o valor de cada uma das nossas ilhas. É preciso um governo que assuma a missão Açores e um compromisso com cada ilha”, avançou.

Nestas eleições e para um novo ciclo, “Não bastará  uma alternância democrática, aliás muito importante, mas também de uma mudança efetiva de governação, uma verdadeira de alternativa”, disse José Manuel Bolieiro, que participava na sétima edição do Congresso da Cidadania, esta dedicada à Ilha Terceira.

“O potencial da Terceira tem, em alguns segmentos, uma escala mundial, que está a ser subvalorizada, limitando o seu desenvolvimento e o do Grupo Central, assim como o peso relativo que pode ter no desenvolvimento da Região”, afirmou o líder social democrata.

Ao nível da Saúde, José  Manuel Bolieiro diz ser preciso “habilitar a capacidade já instalada  na ilha, no contexto de todo o arquipélago”, destacou, estranhando o recente desvio de um equipamento destinado ao hospital local “sem qualquer explicação que justifique essa atitude da tutela, o que é inaceitável”, disse.

Para o presidente do PSD/Açores, o futuro da Região precisa “de uma governação com a capacidade de ouvir e de garantir independência às pessoas e às instituições. Não podemos continuar a ter uma governação manipuladora”, considera.

“A manipulação desmerece a democracia e a liberdade, das pessoas e das instituições, quando a estratégia é tão só  ligada à aposta no dinheiro público, como solução para resolver os problemas e forma de perpetuação no poder”, referiu.

“Ao invés, o que é preciso é apostar na criação de riqueza e na libertação da economia e da iniciativa dos cidadãos”, adiantou José  Manuel Bolieiro.

Que deu como exemplo o “a carência do diálogo e da conversação social, verdadeiros ativos, que estiveram ausentes  nas últimas décadas, e que agora é preciso reforçar”.

Para o líder social democrata, os Açores “têm sido igualmente deficitários na criação de políticas públicas apoiadas no conhecimento empírico, isto é, nos dados concretos  reveladores da realidade das nossas ilhas”.

Assim, “a intuição, uma postura populista e os interesses eleitoralistas têm-se sobreposto a essa necessidade de saber, de forma clara, o que é preciso para o arquipélago”, criticou.

José Manuel Bolieiro avançou que deve haver “uma forte aposta no desenvolvimento dos territórios, mas que tem de ser acompanhado pela proximidade do poder”, advogando que “a relação dos órgãos de governo próprio com o poder local deve ser valorizada, em sintonia e com igualdade de tratamento”, disse.

E focou “a transparência da chamada contratação programática entre administrações públicas, que é fulcral, assim como um reforço de meios para a capacidade instalada em cada uma das nossas ilhas”.

Para o social democrata, falta também “reconhecer essa capacidade instalada ao nível das políticas sociais. Será um trabalho que vai obrigar a uma rutura de atitudes face ao que existe atualmente”, garantiu.

O balanço de 44 anos de Autonomia “teve muitas virtudes, mas é preciso uma avaliação dos resultados dos diferentes ciclos, para poder fazer a mudança que é necessária”, afirmou na edição de ontem do Congresso da Cidadania.

O líder do PSD regional elogiou “a coragem” de todos os participantes nestas iniciativas do partido, pois “a independência e a liberdade expressa fazem falta à Autonomia, sendo o que se deseja para uma Democracia madura nos Açores”,

“Ainda há quem saiba dizer não, quem resista e tenha a capacidade de não assumir a submissão como uma oportunidade, preferindo reagir com inteligência e mostrando pensamento próprio”, concluiu José Manuel Bolieiro.

O evento teve como oradores Tomaz Dentinho, economista e professor da Universidade dos Açores, Maria Manuela Sousa, mestre em Gerontologia Social e assessora na Santa Casa da Misericórdia de Angra do Heroísmo, e António Bulcão, advogado e professor do ensino secundário. A moderação esteve a cargo de Olivéria Santos, jornalista do Diário dos Açores.

À semelhança das anteriores, a sessão relativa à ilha Terceira teve transmissão em simultâneo nas páginas do PSD/Açores e do Congresso da Sociedade no Facebook.

O Congresso da Sociedade, coordenado por Sofia Ribeiro, é uma iniciativa criada para ouvir e valorizar o contributo individual dos açorianos para o futuro coletivo da Região.

Terá sessões relativas a todas as ilhas do arquipélago, e uma à nossa diáspora, sendo realizado em formato digital, por videoconferência, na sequência das restrições resultantes da pandemia da Covid-19.

O MEU COMENTÁRIO SOBRE ESTE ARTIGO