Lá vai uma, lá vão duas… fábricas conserveiras a fechar

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Já lá vão duas! De duas grandes indústrias privadas na área da transformação de atum, existentes nas ilhas do Faial e do Pico, não restará mais nenhuma a partir do próximo mês de abril. A fábrica conserveira que laborava na ilha do Pico encerrará as suas portas daqui a uns dias lançando para o desemprego cento e oitenta trabalhadores. O mote deste despedimento coletivo usado pela administração da COFACO encontra justificação na necessidade de construir uma nova fábrica. 

Se em dois mil e dez este mal se abateu sobre a ilha do Faial, levando ao encerramento e deslocalização da COFACO e obrigando cerca de quatro dezenas de trabalhadoras a viajar todos os dias para a ilha vizinha, hoje o fecho da fábrica do Pico traz consigo o amargo sabor da derrota destas corajosas pessoas que não hesitaram em arregaçar as mangas e trabalhar noutro local que não aquele da sua residência, apenas para manter o seu emprego, o seu meio de subsistência.
Todas suspeitam que o seu próximo destino será o desemprego, quiçá os programas ocupacionais, tão em voga por estes dias, tal como acontecerá aos restantes trabalhadores que laboravam naquela fábrica. O conforto, a solidariedade e as palavras de ânimo que lhes foram transmitidas por todas as entidades e forças políticas, locais e regionais, que calcorrearam por estes dias a ilha do Pico, nenhum eco tiveram neste lado do Canal.
Efetivamente, não houve um único responsável político faialense que tivesse vindo em seu auxílio com uma simples palavra de alento e de força. O drama destas pessoas, dos seus agregados familiares, a situação de desemprego em que cairão, exigia uma atitude mais cuidada e uma tomada de posição mais vigorosa em sua defesa.
Apesar de muitos dos intervenientes serem unânimes em afirmar que a conserveira os voltará a contratar assim que a nova fábrica esteja construída, são grandes as dúvidas que permanecem no ar. Será que a candidatura apresentada terá provimento? Será que o financiamento da nova fábrica em 75% com dinheiros comunitários é suficiente para a sua construção? Quando estará pronta a nova fábrica? Será que manterá a sua localização na ilha do Pico? E, mais importante, caso seja construída, impende sobre a empresa alguma obrigação legal para contratar os antigos trabalhadores, muito deles com mais de cinquenta anos?
Não é admissível que uma empresa que beneficiou ao longo de vários anos de milhões de euros em apoios públicos e comunitários, decida, de um momento para o outro, despedir tantos funcionários e fazer depender a sua laboração e manutenção na ilha de mais apoios financeiros para uma nova fábrica.
Este encerramento, ou como alguns preferem dizer, esta interrupção temporária de laboração, que se estima durará, pelo menos, dois a três anos, trará consigo obviamente consequências nefastas para a economia da ilha do Pico, com o aumento dos níveis de desemprego, o agravamento das desigualdades sociais e a diminuição da riqueza produzida na ilha.
Por isso, afigura-se árdua a tarefa do Governo Regional. Não só na incumbência de encontrar, com urgência, mecanismos, medidas excecionais que assegurem uma proteção eficaz dos direitos de todos estes trabalhadores que irão engrossam as listas do desemprego, como também, em criar restrições e imposições às empresas que beneficiaram de financiamento público e que, por qualquer motivo, usem argumentos pouco convincentes para encerrar as suas portas.
Todavia, não poderá o executivo esquecer que vivemos num mundo globalizante, em que a economia de mercado predomina e onde não existem quaisquer barreiras ou obstáculos que impeçam esta ou qualquer outra empresa privada de se deslocalizar, de procurar novos locais de produção, onde a redução de custos e a maximização do lucro satisfaçam os seus investidores.
A prova deste facto está ainda hoje nas evidências deixadas pela passagem da indústria conserveira na ilha do Faial às portas da nossa cidade. Esperemos que a ilha vizinha tenha mais sorte, para bem da economia local e regional. 

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