Laurissilva de baixa altitude

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Nos Açores as florestas naturais constituídas por vegetação endémica são raras, uma vez que as áreas onde se encontravam foram progressivamente transformadas em pastagens, nas zonas de maior altitude, e em zonas urbanas nas áreas mais baixas e próximas da costa. As florestas naturais remanescentes localizam-se principalmente em áreas protegidas, integradas nos Parques Naturais de Ilha. 

Associamos as florestas de laurissilva à presença do louro (Laurus azorica) ou de espécies de folha semelhante a ele como o pau-branco (Picconia azorica). Estas duas espécies arbóreas compartilham diversas características: são de folha persistente e relativamente espessa e de cor verde escura. As características das suas folhas expressam o facto de se encontrarem adaptadas a territórios de grande nebulosidade e pouca intensidade de radiação solar como as nossas ilhas de bruma. As flores destas plantas perderam as suas cores mais intensas e diminuíram de tamanho adaptando-se muitas vezes a insetos generalistas como modo de aumentar a eficiência de polinização. Também os frutos perderam capacidade de dispersão em longas distâncias de modo a que o vento não os arraste para fora das nossas ilhas. São portanto, espécies endémicas muito bem adaptadas às condições das nossas ilhas e que durante milhares de anos aqui se desenvolveram.
A laurissilva de baixa altitude surgiria potencialmente desde o nível do mar até aos 400 metros de altitude em locais de clima moderado e abrigados dos ventos mais fortes. As espécies características são, então, o louro (Laurus azorica), o pau-branco (Picconia azorica) e a faia (Morella faya), no entanto a urze (Erica azorica) também faz frequentemente parte deste tipo de floresta. Este tipo de laurissilva é atualmente muito raro nos Açores devido ao avanço de invasoras como o incenso (Pittosporum undulatum) e ao aproveitamento dos terrenos de baixa altitude para áreas urbanas e agrícolas. A melhor mancha de laurissilva de baixa altitude e o melhor povoamento de pau-branco dos Açores encontra-se no Faial, na área protegida da Zona Especial de Conservação do Varadouro.
Esta é uma área de reconhecido valor nacional e internacional, que faz parte da Rede Europeia Natura 2000 e que tem merecido uma especial atenção por parte do Parque Natural de Ilha do Faial. Pretende-se preservar os habitats presentes, dada a importância que estes têm para a conservação da natureza e para que prevaleçam como exemplo dos ecossistemas das zonas de baixa altitude presentes nas ilhas antes do povoamento.
Infelizmente, estão a surgir clareiras no meio desta mancha de floresta natural. Algumas são devidas à pressão urbanística, porque o Varadouro é um local de veraneio tradicional, outras devem-se à recuperação de antigos currais de vinha para as novas explorações vitivinícolas, e ainda há quem corte a faia, urze e pau-branco para a produção de lenha, para uso doméstico e comercial. Este é um problema importante. Os nossos recursos naturais, as raras manchas de vegetação endémica e os melhores representantes de uma vegetação que já se extinguiu no resto do arquipélago podem desaparecer. Naquela área é necessário reter o crescimento urbanístico e agrícola e passar a usar lenha de incenso como alternativa às espécies endémicas. Estes são contributos relevantes e simples que ajudarão a colmatar as fragilidades deste ecossistema único.
Arquiteta Paisagista

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