Legislativas Regionais – CDU apresenta lista pelo Faial com 75% de renovação

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A CDU apresentou na noite de ontem, no restaurante Vítor dos Leitões, a sua lista pelo círculo eleitoral do Faial às eleições de Outubro. Com oito novas caras de entre os 12 candidatos, a lista apresenta 50% de independentes e uma média etária de 42 anos.

Para além de João Decq Motta, cabeça-de-lista, a CDU aposta em José Leitão (55 anos, assistente técnico), Joana Decq Mota (35 anos, médica) e José Liduíno Céu (48 anos, pescador), todos eles propostos pelo PCP, para os lugares efectivos da lista. Destes, o primeiro candidato já tinha integrado a lista de 2008, então em quinto lugar, bem como José Liduíno, em oitavo.

O independentes José Ricardo Duarte (51 anos, funcionário público) ocupa o quinto lugar, seguido de Valentina Matos (28 anos, bióloga), também ela proposta pelo PCP. Seguem-se os independentes Mário Silva (44 anos, vigilante da natureza), Joana Carvalho (27 anos, bióloga e empresária), José Liduíno Rosa (30 anos, lavrador) e Marília Silva (30 anos, assistente técnica). Em 11.º lugar da lista está Luís Maciel (35 anos, operário da construção civil), proposto pelo PCP e, finalmente, o independente João Cláudio (65 anos, engenheiro electrotécnico), que em 2008 integrava a 11.ª posição da lista.

A apresentação dos candidatos esteve a cargo do mandatário da lista, Luís Bruno, que, na sua intervenção, chamou a atenção para o que considera ser “o mais feroz ataque do capitalismo” desde o 25 de Abril de 1974. Acusando PS, PSD e CDS-PP de serem os responsáveis pela política capitalista que tem contribuído para o empobrecimento dos portugueses, Luís Bruno referiu-se aos candidatos da CDU como aqueles que “consubstanciam a vontade de lutar para mudar a actual situação política e económica”. A CDU é, nas suas palavras, quem, ao longo dos últimos quatro anos, “trabalhou honestamente na defesa dos Açores” na Assembleia Regional.

PS, PSD e CDS-PP “suspenderam a Autonomia”

Quem o diz é João Decq Motta, líder da candidatura comunista no Faial, referindo-se ao memorando de entendimento assinado entre os Governos da Região e da República. Para o candidato, o acordo entre César e Passos Coelho “vai acabar de vez com a Autonomia nos Açores”, representando um recuo “ao tempo do fascismo, passando a ser Lisboa e não os açorianos a ditar o que fazemos com as receitas que são nossas”. “Quando a Autonomia se tornou um empecilho para os seus planos de empobrecimento e retrocesso social, PS, PSD e CDS limitaram-se a suspendê-la”, disse.

Frisando que o desemprego e a desvalorização, o corte e a redução dos salários têm nos Açores uma expressão ainda pior que no resto do país, João Decq Motta garante que “há outro caminho” que, entre outras coisas, permite continuar a fazer investimento público, desde que seja bem feito.

Um exemplo de bom investimento público que o candidato comunista assume como uma das bandeiras da sua candidatura é a “criação de um parque de varagem e de uma doca seca para permitir o desenvolvimento da indústria da reparação naval e de assistência à náutica internacional de recreio, uma actividade na qual temos tradição, conhecimento e gente formada e capaz”. Este é, entende, “um exemplo de como, com um investimento pequeno, é possível fazer diferente e melhor”. 

Apontando baterias aos adversários destas eleições, Decq Motta referiu que “votar no PSD e no CDS nos Açores é aprovar a política que Passos Coelho e Paulo Portas estão a fazer no país”. Sobre o PS, o candidato refere que “é preciso não esquecer que tem exercido o poder fomentando um feroz clientelismo e o crescimento desigual das várias ilhas”. A Plataforma de Cidadania também não escapou às palavras duras de Decq Motta, que lembra que o líder do PPM, um dos partidos que suportam este movimento, “assinou um acordo, antes das eleições, com o PSD, sendo um caso extremo de manipulação dos sentimentos de cidadãos livres”.

Lembrando a “força social e política” que a CDU tem no Faial, Decq Motta apelou à mobilização dessa força para passar a mensagem comunista na ilha.