André Costa
Trago comigo um colar, que sempre me adorna o pescoço. Desse colar, pende um pedaço de basalto, esculpido na forma da cauda de uma baleia. Trago-o sempre comigo, e enche-me a alma transportar ao peito um literal pedaço do Faial. O simbolismo da cauda da baleia não me escapa; afinal, somos uma ilha que sempre teve uma conexão profunda com baleias. Uma conexão que adoro descrever aos meus amigos que não conhecem os Açores. Quando a baleação chegou ao seu eventual fim, tal não aconteceu à importância balear para o Faial. De caçadores, passámos a avistadores de baleias. Duvido que haja no mundo uma transição tão radical e enternecedora.
No entanto, apesar de prezar a pacífica relação que atualmente mantemos com os magníficos mamíferos marinhos, considero que a caça à baleia no Faial era muito singular. Noutras instâncias de caça balear em redor do mundo, creio que não havia muito que se pudesse admirar. No entanto, a caça à baleia que se levava a cabo por estas paragens era diferente. Não deixava de ser cruel e brutal (no verdadeiro sentido da palavra), mas tinha o seu quê de nobre. Passo a explicar porquê.
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