Madruga da Costa – o amigo

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Não! Não me vou referir a todos os cargos que o Sr. Alberto Romão Madruga da Costa, tão proba e competentemente, exerceu. Muitos só os conheço por ouvir dizer, daí, que outros, melhor que eu, poderão dissertar.

Comecei a conhecer o sr. Madruga da Costa no MDIF – Movimento Democrático da Ilha do Faial, movimento surgido, logo depois do 25 de Abril. Elemento ativo, profundo conhecedor da ilha e suas gentes. Depois veio a fundação do PPD, em que nós, juntamente com muitos outros, demos um contributo à democracia nascente. Apesar de não ser muito mais velho, sempre o tratei por senhor, que o era na verdadeira aceção da palavra. Muito aprendi com ele, a quem escutava sempre com admiração. Diz-se que, depois de mortos, todos são bons. Não é o caso: foi bom e útil, durante toda a vida.

Conheci-o melhor, quando me chamou para o seu governo. Secretário de Turismo e Ambiente, pastas que ele bem conhecia. Nos Conselhos de Governo tratavam-se assuntos que diziam respeito aos açorianos. As manifestações de amizade ficavam para depois. Poderiam esperar.

Quando fui deputado, levava-nos, aos grupos, lá a casa, onde nos ríamos alguma coisa, porque a vida não é feita só de coisas sérias. Lembro-me de lá ter jantado, um belo dia. Iguarias muito bem preparadas pela D. Verónica, sua mulher, acompanhadas dum belo vinho que ele, como especialista, escolhia.

Fomos concorrentes nos negócios – ele, gerente do Banco Português do Atlântico e eu, do Banco Comercial dos Açores – mas, a nossa amizade nunca esfriou.

Todos os anos passava por São Miguel, quase sempre por ocasião do Santo Cristo. O amigo não se esquecia de sempre me vir visitar.

Pouco antes de morrer, falando com a minha mulher (eu não falo ao telefone) dizia, já bastante depauperado: “se eu para o ano for ao Santo Cristo, vou-vos fazer uma visita.” Com o Santo Cristo estará, a visita fica para muito breve.

 

01.12.2014

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