Início Artigos de opinião Cláudia Ávila Gomes Um grama de exemplos vale mais que uma tonelada de conselhos

Um grama de exemplos vale mais que uma tonelada de conselhos

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Numas férias quaisquer há cerca de 10 anos, andava eu ainda a estudar, trabalhei alguns dias na velhinha redação do já extinto Correio da Horta. Devia estar no meu primeiro ano de faculdade e fui, cheia de entusiasmo, ocupar a secretária ao lado da de Alberto Madruga da Costa, então diretor daquele jornal. E num desses dias cometi a gafe mais estúpida imaginável, ao telefone. Uma asneira tão grande que ainda hoje me faz corar sozinha quando penso nisso. Ao meu lado, o diretor do jornal confortou-me com um sorriso, e garantiu-me que coisas daquelas aconteciam aos melhores. Trocou o raspanete, bem merecido, por um riso cúmplice e ajudou-me a desvalorizar o que se tinha passado.

Pode parecer uma recordação insignificante, principalmente por estarmos a falar de uma das grandes figuras da vida política regional. Mas para mim, é preciosa e intemporal.

Depois disto, voltei a cruzar-me com Madruga da Costa várias vezes, por força da minha profissão. Aqueles que com ele privaram nas lides políticas classificam-no como um homem de consensos e de convicções, que travava as suas lutas com dignidade. Um autonomista de mão cheia. Um orgulhoso açoriano. A mim, no entanto, marcaram-me outras características, bem mais modestas, mas que também definem Madruga da Costa. A forma firme, mas respeitosa, como expressava os seus pontos de vista. A delicadeza com que sempre me cumprimentava. O sorriso franco. E, principalmente, a simplicidade. Madruga da Costa era um homem simples, sem as vaidades ou peneiras tão tentadoras de quem, como ele, ocupou elevados e prestigiados cargos da vida pública regional. Encontrar nele estas características ao longo dos anos fazia-me sempre voltar aos tais dias no Correio da Horta, e lembrar a compreensão com que ele, um prestigiado diretor de jornal, me tratou a mim, uma miúda cheia de entusiasmo mas ainda tão “verde” e tão cheia de asneiras para fazer. A forma como Madruga da Costa agiu naquele dia marcou-me, pois, como diz o provérbio, um grama de exemplos vale mais do que uma tonelada de conselhos. E é este Madruga da Costa que vou recordar. Até sempre!

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