Ministra da Cultura recorda José Mário Branco: “Ele dizia que as suas cantigas eram as suas armas, que utilizava para intervir na situação política”

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A ministra da Cultura disse esta manhã que o cantor e compositor é “uma figura ímpar” da história portuguesa e que é um dia “particularmente triste” para a cultura e para a democracia.
“José Mário Branco é uma figura ímpar da nossa história, na sua dimensão de músico, de autor, de compositor, mas também na sua perspectiva de música de intervenção e de indivíduo interventivo. Ele dizia que as suas cantigas eram as suas armas, que utilizava para intervir na situação política”, afirmou Graça Fonseca, ministra da Cultura, em declarações aos jornalistas.

A ministra está em Paris esta terça-feira para participar numa reunião de alto nível entre os ministros da Cultura dos países que que compõem a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), e foi aí que reagiu à morte do cantor, lembrando as suas vivências nesta cidade.

“Hoje é um dia particularmente triste para a cultura, mas também para a democracia. Eu estou em Paris, acabei de chegar e o José Mário Branco esteve aqui exilado durante 11 anos e as suas primeiras canções foram em francês, numa altura muito conturbada em Portugal”, disse a ministra.

Segundo a governante, para a geração de José Mário Branco, “a dimensão ética e estética eram indissociáveis num artista” e foi assim que ele viveu “a sua vida toda”.

Nascido no Porto, em maio de 1942, José Mário Branco é considerado um dos mais importantes autores e renovadores da música portuguesa, sobretudo antes do 25 Abril de 1974 quando estava exilado em França e no período revolucionário. O seu trabalho estende-se também ao cinema e ao teatro.

Foi fundador do Grupo de Ação Cultural (GAC), fez parte da companhia de teatro A Comuna, fundou o Teatro do Mundo, a União Portuguesa de Artistas e Variedades e colaborou na produção musical para outros artistas, nomeadamente Camané, Amélia Muge ou Samuel.

Estudou História nas universidades de Coimbra e do Porto, foi militante do PCP até ao final da década de 60 do século passado e a ditadura forçou-o ao exílio em França, para onde viajou em 1963, só regressando a Portugal em 1974.

Em 2018, José Mário Branco cumpriu meio século de carreira, tendo editado um duplo álbum com inéditos e raridades, gravados entre 1967 e 1999. A edição sucede à reedição, no ano anterior, de sete álbuns de originais e um ao vivo, de um período que vai de 1971 e 2004.

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