Miseráveis sobre rodas

0
25

Por diversas vezes tenho apelado a uma atenção particular por parte das pessoas e responsáveis empresariais aos documentos públicos de orçamento e despesa, pois para além do peso que têm na economia do Estado (República e Região), são documentos orientadores e, quer gostemos quer  não, são os que estão em vigor e uma acção consertada deverá ter um efeito de menor barreira na nossa atividade e consequentemente melhores resultados a curto prazo.

 

Estes documentos, aprovados na assembleia da República e nas assembleias regionais, poderão ter alterações e orçamentos retificativos, mas não serão de grande variação da política traçada, pelo que o responsável político tem uma ação de executor, balizada pelos documentos aprovados.

 

Para além destes, há outros momentos em que os interessados na coisa pública devem ter atenção, nomeadamente aquando do uso da palavra dos políticos, já que, mesmo condicionados, transmitem uma mensagem que deverá ter conteúdo orientador.

 

Na atual conjuntura de redução de verbas justifica-se que a largueza de discurso fique mais limitada, mas a nobreza da mensagem deve existir sempre, quer em momentos de abundância, quer de escassez de recursos, isto é, a importância da palavra dita pelo político não sofre, antes pelo contrário ganha até mais expressão nos atuais momentos, e obviamente está intrinsecamente ligada à capacidade de liderança do mesmo.

 

Ao nível do governo regional já se percebeu a estratégia nestes tempos difíceis, acatar o que vem de fora e usar os dinheiros da autonomia para majorar aqui e ali e fazer um brilharete perante o povo, dizendo que a autonomia resolve, e mesmo que não resolva na totalidade, tem pelo menos uma aspirina para aliviar a dor.

 

O poder autárquico está com os mesmos dilemas, funciona com base em planos e orçamentos aprovados, quer em reunião de Câmara, quer em assembleia municipal, e há que executar, agora com um crivo legislativo mais apertado, mais exigente, nitidamente corrigindo sem olhar a bons e maus, muito disparate feito.

 

Aqui há que ouvir também os autarcas eleitos, com pelouros, perceber as orientações, quer dos documentos em curso, quer da capacidade de gerir em momentos difíceis, com o alcance das palavras, como também o prenúncio de acontecimentos para futuros anos.

 

A missão será, duma forma básica, a de criar estímulo e confiança nas pessoas e nas empresas, para que haja mais empreendedorismo, mais iniciativa, mais investimento, geração de riqueza e consequentemente emprego.

 

Mas os discursos dos eleitos municipais da nossa ilha estão desfasados, desajustados desta necessidade, chegaram ao nível do miserável. Mas o miserável não advém dos constrangimentos exteriores, vem de um percurso que deu dívida e não deu obra, nem desenvolvimento. Mais, resulta do facto de onde a sua gestão entra nada acontece com a eficácia desejada: o saneamento vai de modelo em modelo, a obra nada; o parque empresarial está povoado por vaquinhas, a empresa municipal sem os mínimos exigidos e por aí fora.

 

Ora estes discursos deveriam ser produzidos com máximo de cuidado para atingirem aquilo que se exige a detentores de cargos públicos, mas afinal, têm como denominador comum falar mal do governo da República, porque não é da mesma cor partidária, mas de conteúdo nada têm. Depois de enaltecer as ações do governo regional, porque é da sua cor partidária, e aqui o discurso já vai a meio e nada de ação municipal, o que resta para além dos agradecimentos e de mencionar os presentes, têm sido discursos inócuos, miseráveis, dignos da obra não feita.

 

Nem falo na intervenção no dia da freguesia da Matriz, onde o nosso edil disse que a junta de freguesia estava em instalações suas duma forma gratuita…quem diz isto bem podia estar calado que se sairia bem melhor. Qualquer dia, este autarca abrir a porta do edifício municipal já será obra.

 

Um município que pura e simplesmente não tem política de juventude, não tem um parque para que os empresários se possam instalar, apoiou um ninho de empresas que tem apenas as infraestruturas mas onde falta o essencial, não incentiva para além das oportunidades do governo regional, nem majora nem complementa as suas pol

O MEU COMENTÁRIO SOBRE ESTE ARTIGO

Por favor escreva o seu comentário!
Por favor coloque o seu nome aqui
Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!