Na passagem do 28.º Aniversário – Marina focada nos velejadores europeus

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Com o mercado de iatistas que aportam de passagem na Marina da Horta consolidado, a grande aposta parte agora rumo ao mercado europeu. Quem o diz é Armando Castro, que falou ao Tribuna das Ilhas em vésperas do 28.º aniversário desta infra-estrutura, que se assinala a 3 de junho.O trabalho a fazer para cativar mais europeus passa pela aposta que tem vindo a ser feita para inserir as marinas dos Açores em eventos naúticos de âmbito internacional, que nos últimos anos têm escalado portos dos Açores e que, segundo o chefe de Departamento da Marina da Horta, vai promover a circulação interna de barcos nas marinas açorianas.

O período das Grandes Navegações decorreu nos séculos XV e XVI, com a hegemonia portuguesa e espanhola na exploração do globo terrestre em busca de novas rotas de comércio e novos caminhos até outras terras e culturas. Estas explorações no Atlântico e Índico foram seguidas por outros países da Europa, como a França, a Inglaterra e os Países Baixos, que acabaram por chegar à Austrália e à Nova Zelândia. A exploração europeia perdurou até estar consolidado o mapeamento global do mundo, que conduziu a uma nova mundivisão e ao contacto entre civilizações distantes.

Hoje em dia, o mar deixou de ser apenas mais uma acessibilidade a explorar nas atividades comerciais e integra uma componente desportiva de aventura e recreio náutico. Nesta lógica, a Marina da Horta continua a ser um ponto de atração para os iatistas que cruzam o Atlântico Norte.

De acordo com Armando Castro foram os velejadores que aportavam à Horta de passagem enquanto cruzavam o Atlântico Norte quem mais contribuiu para a consolidação da marina faialense como um dos principais portos de recreio do mundo. Esse mercado está, entende, consolidado, daí que seja necessário mudar a direção do vento e rumar ao mercado europeu. “Neste momento temos consolidado o mercado de passagem. Acreditamos que futuramente venham barcos da Europa visitar os Açores”, revela.

Para Castro este novo mercado vindo da Europa está perfeitamente ao alcance da Região, tendo em conta a proximidade com aquele continente. “Esta é uma viagem que se pode considerar rápida em termos de navegação oceânica e vai promover uma circulação interna nos Açores de barcos que vêm da Europa para nos visitar, o que vai ser benéfico para todas as marinas”, afirma.

Para que tal aconteça, são de extrema importância os eventos náuticos internacionais que nos últimos anos se têm realizado na Horta. Segundo Castro, estes eventos têm por objetivo “promover a Marina da Horta e a capacidade que os Açores têm neste momento para receber embarcações de recreio”.

 Segunda fase da Obra do Porto da Horta essencial para resolver falta  de espaço na marina

Quem se aventura mar dentro tem sempre como propósito atracar em porto seguro. A marina da faialense é um dos portos de recreio melhor equipado para receber  aqueles que chegam por mar. No entanto, a falta de espaço continua ser um problema. “Julgo que avançando a segunda fase do Porto da Horta, esse problema fica resolvido por alguns anos”, explica o responsável pelo hotel flutuante faialense, reconhecendo que “a Marina da Horta é pequena para as solicitações que tem”. “De facto, são solicitações pontuais, ou seja, é num determinado período do ano que recebemos a maior parte das embarcações, essencialmente entre maio e julho”, revela o responsável. 

Castro defende que “é importante darmos boas condições a quem nos visita, no sentido de aumentar o período de estadia dos iatistas na Horta”, lembrando o grande impacto da naútica de recreio na frágil economia local.

Neste contexto, uma intervenção na marina deve visar não apenas a sua ampliação, mas a melhoria global da infraestrutura: “não tenho dúvidas de que uma embarcação que chega à Horta e lhe é atribuído um pontão com água e luz vai ficar muito mais confortável do que uma que está atracada a três ou quatro embarcações, em que os tripulantes têm de saltar por cima de uma e outra para chegar à sua embarcação ou ao cais”, refere Armando. 

Castro lembra que esta marina foi pensada para embarcações que estão de passagem, daí que nunca possa vir a ter instalações semelhantes a outras marinas de Portugal, que têm, por exemplo, bares e restaurantes, o que iria afetar, certamente, o sossego das pessoas que escolhem este porto para descansar de uma longa viagem e preparar outra. No entanto, reconhece, há aspetos que podem ser melhorados, nomeadamente ao nível das instalações sanitárias e outros serviços como a lavandaria. 

Com uma marina maior e melhorada, Armando Castro pensa estarem criadas as condições para que os velejadores permaneçam mais tempo na Horta.“Com maior permanência e maior número de barcos a ficarem na Horta estou capacitado de que vão aparecer mais empresas para trabalharem na área de prestação de serviços aos iatistas e como tal serão também melhorados os serviços prestados aqui na ilha do Faial”, vaticina.

Porto mítico atrai velejadores

Para Armando Castro a grande procura pela Marina da Horta por parte dos iatistas deve-se essencialmente a toda a história que envolve o Porto faialense, à tradição naútica da ilha e há internacionalmente reconhecida hospitalidade desta terra a quem chega por mar. “Existe uma série de fatores, como o Peter Café Sport, o cosmopolitismo das pessoas, a sua hospitalidade,  a mística à volta das pinturas na marina…”, exemplifica.

A estes aspetos junta-se a excelente posição geográfica do porto faialense, muito abrigado e estrategicamente posicionado entre a América e a Europa, na trajetória dos ventos e correntes favoráveis às travessias atlânticas.

 Média de 1095 embarcações e 4256 tripulantes por ano

A Marina da Horta é um Porto Internacional, está certificada pelas autoridades competentes para o efeito e apta a receber qualquer embarcação de recreio. Galardoada com a Bandeira Azul da Europa, que certifica qualidade da água, gestão ambiental, segurança e serviços, oferece excelentes condições. Está dotada de todos os apoios, equipamentos e serviços de que esses aventureiros do mar precisam em terra firme.

De 1 de janeiro do presente ano até hoje, a Marina da Horta já recebeu 264 embarcações, mais 37 do que em igual período do ano passado, em que aportaram 227 embarcações. 

De acordo com publicações internacionais da especialidade, a Marina da Horta é o segundo porto de recreio da Europa e o quarto de todo o mundo mais movimentado no âmbito das grandes travessias oceânicas de alto-mar, sendo somente suplantado por Gibraltar, Trindade e Acapulco (México). E, caso hajam dúvidas sobre tão extraordinário feito alcançado por uma marina destas dimensões, os números aí estão para confirmar. Desde 1986, ano em que foi inaugurada, deram entrada nesta infraestrutura portuária 29 582 embarcações e 114 905 tripulantes.

Com 300 postos de acostagem, a Marina da Horta recebe anualmente, em média, 1095 embarcações e 4256 tripulantes. Só no ano de inauguração esta infraestrutura recebeu 759 iates, entre veleiros e embarcações motorizadas.

Recorde-se que a capacidade atual de 300 lugares só existe desde as obras de ampliação de 2002 nesta infraestrutura que é atualmente gerida pela Portos dos Açores, SA. 

A crescente procura por esta marina é especialmente evidente no que diz respeito aos “mega-iates” – embarcações de recreio, à vela ou a motor, com mais de 25 metros de comprimento.

Nos últimos anos este hotel flutuante tem sido palco de grandes eventos náuticos internacionais no âmbito da vela oceânica de cruzeiro, como meta ou escala. Les Sables/Les Açores/Les Sables, AtlantiquePogo, La Route des Hortensias ou ARC Europe são apenas alguns dos exemplos. Neste domíno, e pela primeira vez, em setembro a a Marina da Horta recebe a regata Lorient/Horta/Lorient, em solitário, onde são esperados cerca de 30 veleiros da Classe Figaro. A prova integra o calendário do Campeonato de Elite de Voile au Large da Federação Francesa de Vela.

 

 

 

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