Na senda da política internacional

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A primeira tentação é a de escrever sobre a Grécia. Afinal, tem estado quotidianamente na comunicação social desde há quase 6 meses, desde que o Syriza ganhou as eleições em Janeiro último. Além disso, e apesar do problema ser sempre o mesmo o que indiciaria ficar gasto, a verdade é que as novidades são também elas quotidianas. Em suma, não faltaria matéria nova sobre a qual reflectir. 

Porém, creio que já todos nos sentimos desgastados com a tragédia grega de que os próprios são fortemente responsáveis: receberam ajuda da UE e não fizeram reformas, iludiram-se com discursos eleitorais que sabiam ser demagógicos e elegeram radicais de esquerda que, coligados com os radicais de direita, aceitaram agora cumprir as regras cuja promessa de rejeição lhes deu a vitória…! Mas não são só os políticos que pretendem gerir a coisa pública sem rumo. Os cidadãos afinam pelo mesmo diapasão: há pouco mais de uma semana cerca de 60% dos gregos votou “não” a mais austeridade e hoje cerca de 60% é favor de um pacote de austeridade mais violenta do que a que rejeitaram no referendo… Este “desnorte” generalizado tem aprofundado a desgraça e o sofrimento.

E no meio deste caos que arrasa a Grécia e arrasta a União Europeia, a nossa esquerda prefere apoiar os gregos a defender os portugueses, sempre a reboque do culto da demagogia e dos seus próprios estreitos e autocentrados objectivos políticos. Afinal, já houve uma dívida perdoada à Grécia no valor de 100 mil milhões de euros, enquanto Portugal anda a pagar (com muito sacrifício e cumprindo regras que os gregos têm recusado) os 78 mil milhões de euros que pediu emprestado. Agora volta-se a falar em novo perdão… Quem o vai pagar? A esquerda não sabe que cada português paga cerca de 180 a 200 euros para a recuperação da Grécia? Isto não é solidariedade?!

Destaquemos antes boas notícias, que também as há. O acordo de Viena sobre o programa nuclear iraniano assinado esta semana é uma excelente notícia para o desanuviamento de uma prolongada tensão muito perigosa e numa área geográfica crítica, o qual deverá também constituir o motor de progresso económico e social para um povo escravizado nas últimas décadas.

Dos Estados à China, países envolvidos nas complexas negociações em que também a União Europeia foi parte preponderante, tem-se a esperança de se ter anulado um risco nuclear efectivo e de se ter conquistado um aliado para futuros projectos de pacificação de que a região tanto carece. Além disso, o fim progressivo do embargo que isolou o Irão há mais de uma década vai trazer oportunidades de crescimento económico, de desenvolvimento social e de democratização do país.

Trata-se de um acordo histórico e que deverá fazer história no futuro do Irão e no Médio Oriente.

 

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