Crónica aos pedaços…

0
12

Levei semanas sofrendo, sofrendo e sofrendo muito à custa dos problemas gregos. Sinceramente. A Grécia é um país que trago no coração. Culpa deles. Desde a primeira vez que lá estive, senti que era ali que teria de voltar. Tudo à minha volta transpirava tranquilidade. Gente bonita por todos os lados. Muito calma e paciência. Comida do mais requintado e gostoso que tenho visto. E acompanhada pelas danças e cantares daqueles deuses gregos é um must. As ilhas, um sonho. Uma mais bonita e requintada que outra. Lindos, Patmos, Aohna, são milhentas e a pérola Mikonos.

No meio de notícias más, sem graça, dia destes, na tv fez-se uma referência relâmpago a Plutão. O meu Plutãozinho de estimação, como já aqui referi. Mas foi tiro e queda. Um ar que se lhe deu. Quando esperava saber o que tinham a dizer sobre aquele planeta, a notícia foi-se. À velocidade da luz. E mais uma vez o desabar das arestas das coisas. E ficamos pelo como, quando, onde e porquê! 

Também como nunca acreditei que alguém tivesse atingido a lua, ficaria sética igualmente. Na época vi o filme. Não me convenceu. Já vi filmes de ficção muito mais convincentes do que aquilo. Falei com amigos e confessei a minha incredulidade. Todos desacreditaram em mim. Mas sou teimosa. E depois?

Bem, mas tendo aqueles infelizes chegado à lua por que razão se tornaram uns ilustres desconhecidos? Esperou-se pelo fim da quarentena e o tempo passando. Astronautas, cadê? O que trouxeram? Consta-se que umas pedritas quaisquer que estarão não sei aonde. Não interessa. Nós, cá, no planeta Terra, contentamo-nos com qualquer coisa. Agora que damos valor às pessoas importantes, lá isso damos. Podemos por exemplo ter esquecido os astronautas, mas não esquecemos a padeira de Aljubarrota, o Egas Moniz com a corda ao pescoço, a morte de Inês com aquele facalhão, D. João no Brasil no palácio de São Cristóvão comendo frango à mão o dia todo, o susto dos navegadores com o adamastor, Camões nadando com os “Lusíadas” na mão, aqueles descobrimentos, ou achamentos que encheram naus, naus e naus. Pena não ter havido mais naus! E D. Carlota Joaquina a bela espanhola que tantos filhos deu a Portugal e a D. João!

Falando mesmo de portugueses é sabido que damos muito valor ao nosso espólio. Temos placas, medalhas, condecorações, reportagens, pulseiras eletrónicas, eu sei lá! A comunicação social não larga os nossos ilustres. Reconhecem-lhes o valor pelos fatos, factos, factoides. Estavam esperando nomes mas eu não digo. Pululam por aí a céu aberto. Alguns a céu fechado.

Somos um país de lunáticos. Cada qual com a sua fantasia. Cada qual na sua fase da lua. Uns, aqueles que estão sempre na lua-cheia rodeados de amigos, amigalhaços, compadres, correligionários ficam isolados obrigatoriamente, queimando neurónios, fazendo contas ao dinheiro que obtiveram com o suor do seu rosto, porque aquela história da multiplicação dos pães já era! Agora multiplicam-se uns euritos e depois é um trabalhão dos diabos para convencer os intrometidos invejosos que não largam a vida alheia. Outros, pavoneiam-se pelas ruas da vida com suas pulseiritas eletrónicas. De que serão feitas? Terão sido muito caras? Que feitos serão precisos para se ser distinguido com aquela insígnia? Devem ter trabalhado p’ra caramba! É o que eu digo, os portugueses continuam sendo uns heróis à maneira.

Alguns rejeitam a pulseira. Que não, que não, muito obrigado pela atenção, não sou digno de tal benesse, prefiro ficar aqui no hotel de Évora, preferia o Divani Caravel, mas deixa pra lá! É tempo de calor, pulseira é quente e além disso sou uma pessoa muito humilde, detesto acessórios. E depois há sempre muito rebuliço nas ruas, muito ladrão e essa pulseira atrai. Também receio a cicuta que já matou o outro!

Depois vem aquela camada de pessoal que está sempre em quarto minguante. Refilam por tudo e por nada. E culpam os outros. E resmungam, dizendo que tem pensões e reformas pequenas. E dizem que comem o pão que o diabo amassou. Mentirosos. O diabo já não amassa pão para ninguém. Virou outro. Perdeu os chifres. Apagou o fogo. Veste modelitos de marca, uma pochete, frequenta hotéis onde tem encontro com os compadres, aconselha, esclarece, explica como virar santo. E parafraseando alguém “e lá no inferno eterno onde caíste – memórias desta vida se consente – não te esqueças daquele rancor ardente – que nos olhos meus tão puro viste.

Pessoal do quarto minguante mente muito. As reformas e pensões são ótimas. Eles é que não têm mentalidade para gerir. Pespegam os euros no banco a prazo (sim senhor é a prazo. Sim senhor, sim senhor é p´ra capitalizar) Sabem lá o que é capitalizar! E vão sentar-se no banco do jardim, jogando às cartas mandando bocas. Não têm inteligência para usufruir daquele balúrdio que recebem mensalmente. Divertirem-se. Viajar até Badajoz, cidade linda! Até tem uma ponte linda, um repuxo lindo, uma estátua linda e um El Corte Inglês e muitos caramelos. Então, nos tempos modernos, que só se usam implantes, não há terror do caramelo ferrado na placa!

Mas não, pobre tem uma fixação – bancos! Não entendem que ao depositar os euros no banco só vão aporrinhar a vida dos banqueiros? E depois dá no que dá! A má fama, o diz que diz, o faz que faz! Que o diga Ricardo Salgado e seus compadres.

Aqueles euros em excesso deviam ser colocados num sítio privado para não chatear ninguém. No quintal, num buraco da parede, sei lá! Euro não se degrada. Nunca! Euro – eupatia única rara obducta (estava nas pulgas para escarrapachar isto nalgum sítio).

E, por favor, larguem essa ideia dos bancos. Banco é coisa que se degrada com o tempo, a não ser que seja restaurado. Não refilem! É por essa e por outras que na hora da campanha eleitoral é aquela berraria dos políticos a explicar ao povo que não querem ser eleitos. Ninguém merece!

Ainda há outra classe: Os pistoleiros da vida! Vão de cana. Alguns vão de propósito para passar férias na jaula! São férias económicas e agradáveis. Lá encontram os camaradas d´ontem e d´amanhã.

E, finalmente, um assunto preocupante. Não é que, derrubado o “Muro de Berlim”, D. Merkel pensa mandar erguer um novo muro? À volta da Europa, excluindo os países que não importa. Está-se mesmo a ver, nós, os gregos e outros que tais esfolando-se para espreitar para a outra banda com curiosidade de ver quem nos chupou a alegria de viver, por um canudinho.

Imagine-se o que virá a seguir. O prenúncio é aquele ruido que, noite e dia, semanas, meses, anos, se vem ouvindo, qual rosnar hidrófobo de cães invisíveis.

Té qu´infim, terminou!