Nascimento Cabral versus Alexandre Gaudêncio: quem ganhará o PSD/Açores?

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Amanhã, dia 29 de setembro, os militantes do PSD nos Açores são chamados às urnas para escolher o próximo Presidente do partido.
Antevendo uma batalha renhida pela sucessão de Duarte Freitas e, com toda a probabilidade, o próximo candidato do PSD/Açores às eleições legislativas regionais de outubro de 2020, o Tribuna das Ilhas traz nesta edição uma entrevista com cada um dos candidatos: Pedro Nascimento Cabral e Alexandre Gaudêncio.
Ao longo das entrevistas, os candidatos expõem argumentos para que os militantes possam escolher, em consciência, a candidatura que melhor defenderá os interesses do PSD/Açores. Para Nascimento Cabral, a sua luta é, em primeiro lugar, de rutura com o sistema instituído dentro do partido, chamando os militantes a ter uma participação cada vez mais ativa em detrimento da restante sociedade.
Por seu lado, Alexandre Gaudêncio aposta num partido com uma base de apoio repartida pelos militantes e pela sociedade civil, capaz de funcionar como alternativa ao poder socialista. Acredita este que o facto de ter conseguido duas maiorias absolutas em eleições autárquicas lhe dão a maturidade suficiente para defrontar e derrotar o Partido Socialista.
Nascimento Cabral defende ainda que o líder do PSD/Açores deve dedicar-se em exclusivo a essa função, criticando de forma aberta Gaudêncio, o qual pretende conciliar a liderança do partido com a presidência da Câmara Municipal da Ribeira Grande.
Em uníssono, os candidatos dizem que o Governo Regional do Partido Socialista está a mostrar sinais de desgaste, fruto de 22 anos de governação, que têm levado a uma degradação de vários setores da sociedade açoriana e que, por isso, acreditam que serão capazes de vencer o PS nas eleições regionais de 2020.
Perante isto, permanece atual o que escrevi no editorial do passado dia 20 de julho: “é, pois, chegado o momento das grandes decisões dentro do partido social democrata: continuar mais quatro anos na oposição ou encontrar um líder que, em eleições regionais, seja capaz de destronar o governo socialista”.
Para tal, parece consensual que não poderá este ou qualquer outro partido, se quiser aspirar a ser poder, suportar-se apenas nos seus militantes, viver fechado sobre si mesmo; terá, necessariamente, que alargar a sua candidatura a independentes, a simpatizantes, enfim, à sociedade civil que se identifique com as ideias defendidas.
Carlos César sempre teve uma especial predileção pela presença de independentes nas listas do PS e a história deu-lhe razão.
Mais, se é certo que quem e quando decide mudar o rumo dos Açores são os açorianos, bastando para tal no dia das eleições dizer “basta” e votar na alternância, cada vez mais necessária em democracia, sob pena de se cair num circulo vicioso apto apenas a satisfazer clientelas partidárias, não é menos verdade que ao PSD/Açores, possuindo um líder mobilizador, com visibilidade e notoriedade junto da opinião pública, lhe será muito mais fácil captar o voto daquele que, após vinte anos de governação socialista, está insatisfeito, indeciso e não se consegue rever mais na governação de Vasco Cordeiro.
As opções que se colocam aos militantes do PSD/Açores divergem entre quem nunca foi a votos, nunca se submeteu a sufrágio, mas, no entanto, traz o partido desde o berço e mostra-se disponível para o combate eleitoral – Pedro Nascimento Cabral, e aquele que andou no terreno e venceu eleições (autárquicas) com maioria absoluta num bastião socialista – Alexandre Gaudêncio.
Sem descurar o peso que a máquina partidária terá no desfecho desta corrida eleitoral, há que dar agora a palavra aos militantes do PSD/Açores para, analisando as premissas apresentadas por cada candidato no seu manifesto eleitoral, escolherem o seu presidente e o futuro candidato à Presidência do Governo Regional dos Açores.

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