Navegando

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DR/ MiratecArts
DR/ MiratecArts

Por: Carlos Ferreira (músico, radialista) 

Em Setembro de 2018, durante a III edição do Festival Cordas, tive no Pico, alguns dos dias que mais intensamente vivi: naveguei pela ilha montanha e pela beleza que a envolve, assistindo, observando e desfrutando de 20 concertos e diversas actividades paralelas, com cenários fabulosos, naturais e edificados, espalhados por toda a ilha: o “Auditório do Museu dos Baleeiros”, nas Lajes do Pico, o “Santuário dos Dragoeiros”, o Museu do Vinho na Madalena, a “Gruta das Torres”, maior tubo lávico de Portugal com cerca de 5150 metros, na freguesia da Criação Velha, o “Jardim Saudade na MiratecArts Galeria Costa” e as Escolas dos diversos níveis de ensino, onde a música, os músicos (nacionais e internacionais) e a Viola da Terra chegaram, duma forma natural, articulada com as actividades escolares, para mostrar a cultura viva, ao vivo.

Estes cinco dias terminaram com o emocionante concerto de encerramento “Violas dos Açores”, no “Auditório da Madalena”, que ficou para sempre guardado na minha memória, onde foram apresentadas as Violas e o seu contexto em cada Ilha, as suas diferentes técnicas de execução, assim como algumas das modas mais características, incluindo momentos a solo e depois momentos de execução em conjunto com tocadores de Viola da Terra de 5 ilhas dos Açores: Bruno Bettencourt (Terceira), José “Canarinho” (Pico), José João Mendonça (Graciosa), Rafael Carvalho (S. Miguel) e Renato Bettencourt (S. Jorge).

No dia seguinte, quando me preparava para o aeroporto, uma melodia surgiu-me na cabeça. Havia violas da terra por todo o lado, havia um misto de nostalgia de partir e de saudade de chegar, só poderia ser um tema para Viola da Terra… e antes que ela desaparecesse, da mesma maneira que me “visitou”, registei-a.

Dois dias depois, chegou à MiratecArts Galeria Costa um barco, cujo destino passaria a ser, mais um palco no meio daquele espaço de 24 mil metros quadrados dedicado à arte na natureza. Esta situação, acompanhada, documentada e partilhada pelo Terry (Alma do Cordas) Costa numa rede social suficientemente conhecida para dizer qual o seu nome.

Quase de imediato, o Renato Bettencourt comentou a publicação com um poema lindíssimo, chamado “Navegando”. A resposta do Terry ao poema não se fez esperar: “já temos poesia… agora é compor a melodia”. Respondi na hora: “Não sei se não me atreverei a musicar… Muito bonito! Obrigado, Renato!”. Quando o Renato respondeu: “é começar já!”, só me restava obedecer-lhe… Foi o que fiz e, surpreendentemente, entre a melodia e a poesia estabeleceu-se de imediato uma grande e duradoura amizade.

Até agora, passados quase dois anos, têm convivido muito bem. Foi o tempo que decorreu, sempre a remar, para conseguir tornar estas emoções, numa canção para Viola da Terra: “Navegando” …

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