NC4 – 100 anos depois

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1. Às 13h23 do dia 17 de maio de 1919, amarou na baía da Horta o hidroavião NC4, capitaneado por Albert Read, que se amarrou ao navio dos EUA Columbia, uma das embarcações aqui estacionadas para apoio dos três hidroaviões que tentavam realizar a primeira travessia aérea entre o Novo e o Velho Continente. Nesse dia, nesta nossa cidade da Horta, concluía-se a etapa inicial da 1ª Travessia Aérea do Atlântico, após um voo de 1.206 milhas náuticas, realizado em 15 horas e 13 minutos.
O comandante Albert Read e a sua tripulação permaneceram nesta cidade até ao dia 20 de maio, data em que daqui descolaram com destino a Ponta Delgada. Daí seguiram viagem, no dia 27 de maio, com destino a Lisboa, onde chegaram às 18h01, completando com sucesso a travessia aérea do Atlântico.
Este feito notável foi festivamente acolhido na cidade da Horta, dando dele pleno eco a imprensa da época, onde se relata a deslocação de grande número de pessoas ao molhe da doca, os vários e numerosos gestos de boas-vindas aos heróis aviadores através dos quais se manifestou a incontornável forma de bem receber que é apanágio dos faialenses.

2. 100 anos depois, a cidade da Horta, numa salutar cooperação de várias instituições (Câmara Municipal, Museu, Núcleo Cultural, Portos dos Açores) está a celebrar tão importante evento.
A sessão evocativa do acontecimento teve lugar nos Paços do Concelho no passado dia 17 e revestiu-se, simultaneamente, de uma simplicidade e de uma solenidade exemplares, onde marcaram presença, para além, naturalmente, do Presidente da Câmara e do Secretário Regional do Mar, Ciência e Tecnologia, a Ministra Conselheira da Embaixada dos EUA em Lisboa e o Cônsul dos EUA nos Açores que, desse modo, reforçaram a nota do envolvimento do seu país na comemoração deste evento singular que permitiu não só reforçar o papel estratégico da Horta nas ligações entre a América e a Europa, mas também lançar as sementes que iriam germinar mais tarde com a transformação da Horta em porto dos hidroaviões dos voos regulares da Pan American.

3. O programa das celebrações desta efeméride não se esgota nos eventos já realizados e prolongar-se-á durante um ano, encerrando-se em maio de 2020. Parecem, por isso, criadas todas as condições para que esta data marcante da nossa participação nos grandes eventos da História internacional seja devidamente assinalada, com a qualidade que a natureza e a importância do evento requer.
Uma coisa, porém, impõe-se melhorar: a divulgação dos eventos a realizar. Esta sessão solene ia-me passando ao lado, completamente omissa na comunicação social escrita do Faial. Não fora alguém próximo ter visto a informação a circular nas redes sociais, não teria tido dela conhecimento.
Na realidade, há eventos que, pela sua natureza, importância e destinatários, não se pode circunscrever a sua divulgação às redes sociais que, se é verdade que são um elemento de modernidade, de menos custos e circulação privilegiada de informação para um segmento da população, também não é menos verdade que, a manter-se esta opção, corre-se o sério risco de apagar da memória futura uma série alargada de eventos, realizações e iniciativas que, a não serem divulgadas e registadas em meios que possam constituir-se como documentos, serão esquecidas no futuro e reduzidas à condição de inexistentes. Fica a sugestão!

4. Só por ignorância ou indesculpável distração é que se pode compreender que no alinhamento do Telejornal da RTP-Açores se tenha relegado a reportagem deste evento para o último lugar, mesmo antes das notícias do desporto e transmitida dois dias depois!…

20.05.2019

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