Neste barco estamos todos

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1 Este tempo de pandemia que vivemos (e que põe em causa tantas certezas inabaláveis que tínhamos sobre a capacidade do Homem e da Ciência), fez-me voltar a alguns livros que, nos meus tempos de estudante universitário, li para a disciplina de História das Mentalidades. E, desde logo, regressei, com novos olhos e acrescida curiosidade, ao clássico de Jean Delumeau “História do Medo no Ocidente (1300-1800) – Uma cidade sitiada”.
Nesta obra, de entre os muitos medos analisados, reli o capítulo “Tipologia dos Comportamentos coletivos em tempo de Peste”.
E registei a constatação do autor, com base no estudo das fontes documentais, de que “Quando aparece o perigo de contágio, de início procura-se não vê-lo. As crónicas relativas às pestes ressaltam a frequente negligência das autoridades em tomar medidas que a iminência do perigo impunha […]. Por certo, encontram-se em tal atitude justificativas razoáveis: pretendia-se não assustar a população […] e sobretudo não interromper as relações económicas com o exterior. Pois a quarentena para uma cidade significava dificuldades de abastecimento, ruína dos negócios, desemprego, desordens prováveis nas ruas, etc.”.

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