Numa perspectiva global, o Ano de 2011 não deixa saudades: não foi um bom Ano!

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Em termos Europeus, assistimos à agudização de uma crise financeira e económica, com graves impactos sociais e também políticos. São já muitos os Estados-membros que estão numa situação declarada de endividamento, a zona euro está sob um ataque sem precedentes, e a União Europeia em geral está estagnada e à beira da recessão. As necessárias medidas de disciplina orçamental multiplicam-se e repercutem-se em fortes constrangimentos sociais. Do ponto de vista político impõe-se um novo funcionamento da União, uma revisão dos Tratados, com uma perigosa orientação intergovernamental. É o próprio projecto europeu que está hoje em causa.

Em termos nacionais a situação económico-financeira é ainda mais grave, as dificuldades sociais ainda mais duras e as perspectivas de recuperação ainda mais lentas. Só para dar alguns exemplos, sublinharei que o desemprego aumentou e o rendimento do trabalho diminuiu; o preço de bens essenciais aumentou e os apoios sociais diminuíram; as greves aumentaram e a produtividade diminui…Além disto não há alternativa porque vivemos de empréstimos que temos de pagar. É a nossa própria soberania que está em causa.

Em termos mundiais, destaco no ano de 2011 a designada “Primavera Árabe” que receio se converta efectivamente num “Outono” ou num escuro e frio “Inverno”, com os partidos fundamentalistas islâmicos a ganharem as eleições e com a adopção da sharia, ou lei islâmica, como lei do Estado que deveria ser sempre secular para garantir iguais direitos a todos os cidadãos. No mundo ocidental, destaco como evento marcante do ano de 2011 as várias formas de terrorismo social ou guerrilha urbana que têm eclodido em diversos países. Refiro-me a massacres, como foi o da Noruega ou, mais recentemente na Bélgica; refiro-me também aos motins selvagens em Londres e, por diferentes razões, na Grécia; refiro-me ainda ao designado movimento dos indignados, que tende a ultrapassar largamente o legítimo protesto pacífico e fomentar a agitação social gratuita.

Enfim, o Ano de 2011 foi um mau ano; quando passarmos para o ano 2012 levaremos connosco os mesmos problemas, mas temos a oportunidade de adoptar uma diferente atitude para os resolvermos, uma atitude que substitua os protestos pelo empenhamento e que queira operar a mudança não pela destruição do que era mas pela construção do que deve e tem de ser.

 

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