Nuno Barata defende paragem biológica para proteção das pescas nos Açores

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Nuno Barata IL

Iniciativa Liberal/Açores

O Deputado do Iniciativa Liberal no Parlamento Açoriano, Nuno Barata, defendeu, esta quarta-feira, que é imperativa a determinação legal de “uma paragem biológica anual” para se conseguir garantir que, “no futuro, que o goraz selvagem dos mares dos Açores” continua a ser capturado e a dar rendimento aos armadores e pescadores que labutam em torno das ilhas da Região.

Nuno Barata, na sequência de uma intervenção sobre o potencial do mar dos Açores, exortou o Governo Regional a determinar medidas concretas de proteção das poucas espécies de peixe que ainda garantem algum rendimento ao setor das pescas na Região, sob pena “de se perderem todos estes recursos nos próximos anos”.

“O setor da pesca nos Açores sempre foi pobre e vai ser sempre pobre se não olharmos para ele com outro respeito pelos recursos e pela distribuição da riqueza entre os pescadores e os armadores das embarcações. Temos poucos recursos que sejam valorizados. Quando o ano de tunídeos é bom, temos melhores rendimentos. Temos os pequenos pelágicos que vão trazendo algum desafogo financeiro à pequena frota. Tirando essas espécies sobram o goraz e o alfonsim imperador. São estes recursos que carecem de uma intervenção fortíssima do Governo Regional”, disse.

“A Região pode ter as quotas todas que quiser, mas se não fizer uma paragem biológica, entre o final do ano e o fim da desova, vamos perder todos estes recursos nos próximos anos. Só um exemplo: Em 1990, lançavam-se 5 mil anzóis para se apanhar 400 caixas de goraz. Em 2010, lançavam-se 50 mil anzóis para apanhar 40 caixas de goraz. Aumentou-se em 10 vezes o esforço de pesca, para reduzir-se em 10 vezes as capturas desta espécie. E isso é o que se continua a passar hoje em dia”, prosseguiu.

Neste sentido, o Deputado Liberal entende que “a paragem biológica anual é um momento
decisivo para se conseguir garantir que, no futuro, o goraz selvagem dos mares Açores continue a ter fama nos mercados internacionais e continue a ser – como o foi ainda neste ano que terminou– comercializado acima dos 70 euros o quilo, garantindo que esta comercialização ainda dê algum rendimento aos armadores e aos pescadores açorianos”.

Sem resposta por parte do executivo de coligação, Nuno Barata constatou que “os Açores não têm no mar o seu maior recurso”, considerando que “viver a realidade das pescas é viver com muitas horas de trabalho e parcos rendimentos”.

“O mar dos Açores apesar da sua vasta área, apenas tem reduzidas áreas onde se pode exercer a atividade da pesca. Existem zonas de pesca à volta das ilhas, nalgumas até às 12 milhas; noutras esta área nem chega às 3 milhas e são proibidas. Restam 6 ou 7 zonas onde se pode exercer a pesca, mas, com exceção de 4 embarcações, a Região não tem frota para lá chegar. Ao ponto que nós chegamos!”, lamentou.

Identificando-as, Barata apontou que as zonas de pesca são: o canal São Jorge/Pico, para a pesca da lula; o canal Flores/Corvo, onde já não é tão comum ver embarcações a trabalhar, porque carece de uma janela de bom tempo para as embarcações irem das outras ilhas até lá, trabalharem e voltarem; e os bancos distantes, a sul do Faial e do Pico, e a norte da Graciosa, onde só conseguem chegar as tais 4 embarcações maiores que a Região tem”.

Neste sentido, defendeu o parlamentar liberal, ou o Governo Regional intervém na proteção das espécies que ainda dão algum rendimento aos pescadores ou a Região vai ver morrer
definitivamente o setor das pescas nos próximos anos.