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O adeus ao Mestre Simão

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Durou pouco tempo o percurso de vida do “Mestre Simão” nestas águas tumultuosas, mas já deixa saudades a todos quantos nele viajaram para atravessar o canal. O seu conforto e presença no mar, associada à sua estabilidade e capacidade para transportar um elevado número de passageiros e veículos automóveis transformaram, de forma indelével, o transporte marítimo de passageiros nas ilhas do Triângulo.     

Depois de três semanas encalhado entre as rochas ao largo do Porto da Madalena, na ilha do Pico, eis que surge o anúncio mais temido por todos desde a primeira hora: o destino do navio “Mestre Simão” é a sucata e o seu desmantelamento. Servirá para peças para uma qualquer outra embarcação que delas necessite.

Isto, porque o Governo Regional, após conversações com as seguradoras, entendeu que a melhor opção seria não reconstruir o navio, pois o seu custo, resultante, sobretudo, dos problemas estruturais devido ao período de tempo que esteve sujeito à força do mar e às intempéries entretanto ocorridas, seria muito equivalente ao valor indemnizatório a receber.

Assim, em sua substituição, irá receber a indemnização de 9,2 milhões de euros definida pelo seguro e utilizar esse montante para promover a construção de um novo barco com caraterísticas similares aquele que naufragou, adequado aos nossos portos e adaptado às nossas condições de mar.

Considero, por isso, que, pesando os prós e contras de cada uma das soluções, atuou bem o Governo Regional e a Administração da Atlânticoline.

No entanto, esse mesmo facto não isenta de críticas o atraso que se verificou nas tomadas de decisão, quer no que respeitou à retirada do combustível e dos óleos do interior do navio, quer quanto à sua própria remoção. Ao invés de se diligenciar para uma rápida resolução do problema, as seguradoras e a Atlânticoline preferiram andar a brincar aos concursos públicos, enviando convites a empresas para esta operação e dias depois convites a outras empresas para outra tarefa e assim por diante.

Não fosse o nosso anticiclone, a acalmia do mar que se registou neste período e os deuses a proteger esta zona do arquipélago, hoje o Mestre Simão poderia estar no fundo do mar, com consequências ambientais muito mais nefastas do que as registadas nos dias que se seguiram ao naufrágio.

Mas, este infortúnio, trouxe consigo a prova, graças à célere resposta dos meios disponíveis, que os Açores estão na linha da frente quanto à adoção de medidas provisórias para a contenção de possíveis desastres ambientais.

O preocupante, agora, para o Triângulo, já habituado a ter dois bons barcos para o transporte marítimo regular, com todas as comodidades, de pessoas e viaturas, são as consequências que, previsivelmente, provocará o hiato de tempo que decorrerá entre o lançamento do concurso público e a entrada em navegação do novo navio, que se prevê entrar ao serviço somente no último semestre de 2019.

Consequências essencialmente económicas. Desde logo, através de uma clara redução do fluxo de passageiros e de viaturas inter-ilhas, com repercussões na economia das ilhas do Pico e do Faial. E depois, na diminuição dos proveitos das empresas ligadas ao setor do turismo, atividade preponderante não só aqui, mas em todos os Açores.

Os empresários do Pico aperceberam-se disso e prontamente exigiram à Atlânticoline o fretamento de um novo navio para aquele período, em que apenas o “Gilberto Mariano e os Cruzeiros estarão a navegar. Não conseguiram fazer valer a sua posição.

Mas este problema impõe um conciliar de posições que limite os prejuízos económicos e financeiros daí resultantes, e que se deverão traduzir na criação de novos horários para o transporte marítimo, com mais viagens diárias inter-ilhas, favorecendo-se, assim, a rápida mobilidade dos residentes e dos turistas que nos visitam.

O estranho em todo este processo foi ver que os empresários do Faial e a instituição que os representa se terem remetido ao silêncio, não reivindicando absolutamente nada e dando a entender que esta perda não os prejudica. Será isto verdade, ou foi apenas um esquecimento?  

O que com certeza não cairá no esquecimento será o adeus ao Mestre Simão.

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