O arranque de mais um ano letivo nos Açores

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Após as chamadas “férias de verão” eis que os alunos regressam às escolas da Região Autónoma dos Açores para o início de mais um ano letivo.
Para uns é o começo de um longo percurso escolar, desde o ensino básico ao secundário, com colegas e professores novos, e que culminará com o ingressso no ensino superior, ou, como acontece também muitas vezes, diretamente no mercado de trabalho.
Para outros, é o regresso a um local que já conhecem de anos anteriores e servirá apenas para retomarem o seu percurso estudantil.
À primeira vista parece que este primeiro dia de escola, designado desde 2015 pelo Governo Regional dos Açores como o “Dia do ProSucesso”, começará sem quaisquer problemas nos estabelecimentos de ensino da Região.
Este Plano Integrado de Promoção do Sucesso Escolar – ProSucesso, Açores pela Educação apresenta como objetivo primordial a redução da taxa de abandono precoce da educação e da formação e o aumento do sucesso escolar em todos os níveis e ciclos de ensino, e concretiza-se com o foco na qualidade das aprendizagens dos alunos, na promoção do desenvolvimento profissional dos docentes e na mobilização da comunidade educativa e parceiros sociais.
Na tentativa de implementar, na prática, este programa, o Governo Regional criou três projetos: o ProfDA, em que docentes qualificados na deteção, caracterização e resolução de dificuldades de aprendizagem, intervêm junto das turmas em trabalho coletivo ou em pequenos grupos, seguindo um modelo de apoio para agir junto dos alunos com mais dificuldades, todavia, sem nunca esquecer os restantes.
O “Apoio mais, retenção zero” que pretende criar as condições metodológicas e organizacionais para que os alunos completem cada ciclo do Ensino Básico no número de anos esperado e o Projeto de Intervenção Comunitária para o Sucesso Educa-tivo – Escola, Família, Comunidade (PIC), que cria uma colaboração efetiva entre escolas, ação social e autarquia para mostrar que, com pequenas alterações na atitude e nos procedimentos, é possível alcançar resultados positivos.
Efetivamente, o lançamento desta panóplia de projetos educativos que pretendem dotar os alunos das competências necessárias para concluirem o secundário e ingressarem no ensino superior, melhorando as suas habilitações literárias e, consequentemente, as suas condições de vida, parece ir de encontro ao referido no relatório “Education at a Glance”, da OCDE, de 2017, quando diz que os licenciados portugueses ganham em média 69% acima de um diplomado do ensino secundário.
Todavia, um novo relatório, saído na passada terça-feira, respeitante ao ano de 2018, traz consigo más noticias para o dirigente sindical da FENPROF Mário Nogueira e para a luta dos professores pela total recuperação dos anos de serviço congelados. Na verdade, conclui o estudo que os professores em Portugal ganham em média mais 35% do que os outros profissionais com os mesmos níveis de qualificação profissional e que o Estado aumentou a sua despesa na educação em 33% entre 2008 e 2013.
Agora que o Governo da República decidiu avançar unilateralmente com a devolução de 2 anos, 9 meses e 18 dias, ao invés dos 9 anos, 4 meses e 2 dias do tempo de serviço exigidos pelos professores, aqueles dados da OCDE apresentam-se desafiadores para a luta laboral que os professores nacionais e regionais terão que enfrentar não só junto do Governo, como também junto da opinião pública.
Por cá, mesmo em cima do inicio do ano letivo, recebemos a triste noticia que, mais uma vez, as obras da 2.ª fase da Escola Básica e Integrada da Horta António José de Ávila não acontecerão no ano de 2019, o que deve, sem dúvida, ser motivo de preocupação, não só da comunidade escolar, mas de toda a população faialense, pois, ao contrário do que se costuma apregoar, o Faial está nitidamente a ser deixado para trás. Pelo menos para já.
Resta-nos, pois, esperar pelo ano de 2020, ano de eleições regionais nos Açores, para confirmar se o arranque das obras acontecerão ou não nesta legislatura. 

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