O boato

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Eles circulam por aí à rédea solta. Sem pés nem cabeça. Os boatos. A porcaria dos boatos, que nos causam um sentimento de nojo e repulsa. Vontade de estrangular os boateiros. São uns seres repugnantes, frios, calculistas, preparando sempre nova máscara a fim de vomitarem novo boato. E dizem-no com uma despreocupação patética, que nós quase descortinamos. E porquê? Porque há uma assincronia abismal entre o que ele, o boateiro, vomita e aquilo que a sua cara demonstra.

E, ai daquele que, na sua ingenuidade acredita no boato. E, pior ainda, se repete esse boato. Ele então corre sem jeito, feito um louco, pernas de centopeia, atingindo os sítios mais recônditos. Au-mentando sempre de volume e deixando resquícios por onde passa.

Boato será mais perigoso que mexerico. Ambos voam rápido e prejudicam. Mas, enquanto mexerico é um remexer na vida alheia, boato é uma invenção maldosa e torpe que atinge qualquer um a uma hora qualquer.

E qual será o motivo que leva um individuo a criar boatos ou a chafurdar na vida dos outros. Está sem trabalho, entediado ou simplesmente é um mau carácter que desejaria tornar realidade todas as suas malévolas intenções? Será que você, boateiro, não vai criar cavernas no fígado? Será que o boato não se irá voltar contra si? Seria óptimo que você na altura de inventar, voasse para os quintos dos infernos?

Pensa-se na quantidade de pessoas que, à custa de um maldoso boato, se inferiorizam, entristecem e levam uma fatia generosa da vida, tentando recuperar a sua credibilidade. Roubada por um vagabundo qualquer que, sem conciência, nem vergonha na cara, lançou um boato!À toa! Por pura maldade.

A vida é tão curta. Não sabemos nunca o que resta da nossa existência. Nem conta a idade. Todos nós engolimos de vez enquando as nossas lágrimas e acreditamos na possibilidade do efémero, enquanto aguardamos também por um mundo melhor. Formado por gente que goste de gente. E para tal é necessário muito pouco – compreensão, dignidade, respeito. Oferecer aos outros aquilo que gostaríamos nos fosse oferecido. De cara lavada, peito aberto.E se necessário, saber sair ileso da maledicência pública.

Só assim, se poderá descer com delicadeza o cortinado da vida! Sem inimizades, sem boatos, sem malquerenças, sem deixar rasto.

 

 

 

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