O cerco

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1. O tempo está a encarregar-se de provar que a relação entre a nomeação, em finais de 2015, de uma nova gestão da SATA, presidida por Paulo Menezes, e a sistemática menorização da rota da Horta por esta companhia, não é uma coincidência.
Não foi preciso esperar muito tempo para se perceber a que vinha esta Administração. Logo em 2016 tivemos o recorde na Horta de 26 divergências e 42 cancelamentos, números oficiais da própria SATA. E não é necessário recordar o que se passou nesse Verão IATA, com cancelamentos escandalosos, justificações falsas, confusões e incongruências tantas e tão sem sentido que acabaram por motivar a formação de um grupo nas redes sociais autointitulado “Grupo do Aeroporto da Horta” (que tem vindo a desempenhar papel de crescente importância), bem como a realização de uma grande manifestação que ilustrou bem o descontentamento dos faialenses.

2. Foi com base nesse ano excecional de cancelamentos e divergências que esta Administra-ção da SATA acentuou a redução de voos e de lugares para a Horta. E fê-lo não só nos voos territoriais como nos voos inter-ilhas, prolongando essa redução em 2018.

3. Mas o cerco à rota da Horta não se resume ao número de voos. Em complemento, esta Administração tem vindo a piorar os horários dos voos inter-ilhas, dificultando as acessibilidades da Horta, ao mesmo tempo que aposta em horários mais competitivos e adequados para outros destinos.
Se olharmos, apenas a título de exemplo, para os atuais horários da SATA, concluímos que o último voo direto para Ponta Delgada, com partida da Horta, à exceção do fim de semana, é, por regra, a meio da tarde, enquanto no Pico é ao final do dia (18h50). Quanto às ligações à Terceira, nalguns dias… só visto!
É claro que pela modulação dos horários, esta Administração da SATA condiciona de forma clara e inequívoca os fluxos e, por essa via, penaliza de forma deliberada e intencional a rota da Horta.

4. Por outro lado, o equipamento que cada vez mais parece ser enviado para a Horta é o avião DASH Q200, com lotação de 37 passageiros! A este propósito, seria interessante a SATA revelar o número de voos extraordinários que tem realizado para a Horta desde que entrou em vigor o novo horário de verão. E que explique a relação entre esse número e a objetiva insuficiência dos horários aprovados e equipamentos utilizados (já agora, fazendo as contas aos potenciais passageiros que desistiram de vir à Horta porque não conseguiram confirmação com antecedência…).

5. Se somarmos a tudo o que atrás se disse, a incompreensível ausência de promoção à rota da Horta por parte da SATA e os preços comparativamente mais altos que são cobrados nas ligações diretas de Lisboa com o Faial, estamos confrontados com um claro e inquestionável quadro de opções gestionárias destinado a cercar e abafar a rota da Horta. É a atual Administração da SATA que concretiza o cerco, mas atrás dela acoita-se o governo regional, dono da companhia!
No quadro deste cristalino cerco, e depois do Presidente da Câmara Municipal da Horta ter dito, com todas as letras, que a sua capacidade de diálogo com esta Administração se tinha esgotado, o que impediu então os responsáveis locais do partido do governo de exigirem a demissão desta Administração da SATA, conforme lhes foi proposto e conforme oportunidade que tiveram na última Assembleia Municipal?
Ou perguntando de outra forma: o que precisa esta Administração da SATA de fazer pior ao Faial para que os deputados municipais do PS achem que ela está a mais e faz parte do problema?
É que há coisas que, por mais esforço que se faça, ultrapassam a nossa capacidade de compreensão e entendimento…
Esta foi uma delas!

13.05.2018

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