O Coveiro dos Jornais Regionais e os Presentes no Sapatinho

0
28
TI

TI

O aparecimento das redes sociais, a sua inegável disseminação e influência no seio das comunidades e o facto de o cidadão ter hoje ao seu dispor mecanismos que lhe permitem conhecer e ler a notícia ao segundo, determinaram uma quebra acentuada nas receitas dos jornais e o desaparecimento de muitos deles.
A acompanhar estas más notícias para os jornais em papel, surge agora o Governo Regional dos Açores a cortar substancialmente, na ordem dos 50 a 60 por cento, os apoios a que estes órgãos de comunicação social legitimamente têm direito.
Se muitos dos jornais já se encontram numa débil situação financeira, aguardando ansiosamente pelos apoios governamentais para poderem fazer face aos seus compromissos com funcionários, gráficas e todos aqueles que, direta ou indiretamente, se inserem neste circuito económico, vêem-se agora confrontados com uma mudança brusca das regras no final no jogo, o que indica uma notável falta de fairplay.
A aprovação do PROMÉDIA na Assembleia Legislativa, apenas no final do ano, e a alteração dos montantes constantes do Orçamento Regional, denotam a pouca vontade do Governo em apoiar de modo eficaz os meios de comunicação social, com exceção feita, claro, ao meio difusor das suas notícias, o GACs (Gabinete de Apoio à Comunicação Social).
Nesta altura do ano, já os jornais tinham realizado as suas despesas, contando sempre que os apoios seriam exatamente iguais aos do ano anterior, pois nada fazia prever o contrário. Por isso, neste Natal, em vez das tradicionais prendinhas no sapatinho, os jornais da Região receberam uma cova aberta, bem funda, onde muitos desses títulos certamente irão cair e ficar enterrados.
Neste cenário, as questões seguintes impõem-se – porque não consegue o Governo Regional manter os compromissos assumidos no Orçamento deste ano? Porque será que o Gabinete de Comunicação Social do Governo não sofreu cortes?
Estas são interrogações que todos nós levantamos e para as quais importa haver uma resposta. Com estes cortes substanciais, parece evidente que apenas sobreviverão, para além do GACs, os jornais que têm por detrás grandes grupos económicos com enorme suporte financeiro. O que pode significar a entrada numa espiral de controlo absoluto da informação difundida nos Açores e um consequente retrocesso na nossa liberdade de expressão e democracia.
Todas as forças políticas, incluindo o Partido Socialista, deverão estar atentas a esta situação e exigir de imediato o agendamento de um debate de urgência acerca desta matéria, confrontando os responsáveis governamentais com estes cortes orçamentais.
Esta matéria não pode passar despercebida aos olhos dos deputados regionais, eleitos por todos nós, os quais têm nas suas mãos o poder de exigir ao Governo o reforço necessário das verbas do apoio à difusão informativa.
Apesar da ausência de espírito festivo próprio desta época natalícia, importa arregaçar mangas para ultrapassar estes entraves e barreiras quase intransponíveis, com a certeza que estaremos nas bancas e em sua casa no dia 5 de janeiro de 2018, pois, como vem sendo tradição, na última semana do ano não haverá jornal Tribuna das Ilhas.
E, fazendo uso do velho ditado “ano novo vida nova”, surgiremos com novidades. A presença de novos colaboradores, das mais relevantes áreas, será notada no início do ano, juntamente com a publicação mensal de matérias respeitantes às áreas da psicologia e da educação, com a Ordem dos Psicólogos e a Escola Profissional da Horta a darem contributos relevantes para este jornal.
Continuaremos, ainda, a apostar nas reportagens e entrevistas com figuras de relevo da nossa ilha e dos Açores. A este propósito, para aguçar o apetite, começaremos o ano com uma entrevista à recente eleita Provedora da Santa Casa da Misericórdia da Horta, Cristina Abrantes, que nos falará dos seus projetos para esta importante instituição faialense.
Resta-me agradecer a todos, sem exceção, os que contribuem para que este jornal se mantenha firme na frente informativa no Faial e nos Açores.
Da minha parte e das colaboradoras deste jornal desejamos-lhe UM FELIZ NATAL E UM PRÓSPERO ANO DE 2018.

O MEU COMENTÁRIO SOBRE ESTE ARTIGO