O Dia da Região 2020 – “Os Açores são a nossa certeza, de traçar a glória de um povo!”, Natália Correia, Hino dos Açores

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1 Celebrar em contexto de pandemia
Na passada segunda-feira comemorámos o Dia da Região, este ano em circunstâncias verdadeiramente excecionais.
Neste contexto de pandemia, em que se pedem especiais cuidados a todos os cidadãos, entendo que as estruturas políticas e os órgãos de governo próprio da Região agiram de forma acertada, ao assinalar a data com recurso aos meios de comunicação à distância, e não de forma presencial.
Já não concordo com o facto de os discursos se resumirem aos Presidentes da Assembleia e do Governo Regional, excluindo os partidos políticos, designadamente os da oposição. É uma tradição que deve ser repensada, para tornar a cerimónia mais plural e democrática.
Por ocasião desta efeméride, procuro fazer sempre uma reflexão sobre o estado da Região. Qual é o nível de desenvolvimento dos Açores? Como está a saúde da nossa Autonomia? E como podemos classificar o nível de coesão social e territorial entre as nove ilhas do arquipélago? Este ano há ainda uma análise prévia que se impõe, decorrente do vírus que transformou as nossas vidas.

2. Avaliar a primeira fase de combate ao novo coronavírus
O ano de 2020 ficará para sempre marcado pela Covid-19, e por isso não posso deixar de analisar, em primeiro lugar, os resultados das medidas adotadas para combater o novo coronavírus, no que à primeira fase diz respeito.
Neste ponto, ressalvando naturalmente que tivemos sorte com a chegada tardia do vírus ao arquipélago, considero que as medidas tomadas produziram resultados positivos no cômputo global da Região, que o encerramento das escolas e outros equipamentos sociais foi uma medida sensata, e que a suspensão dos voos comerciais foi determinante para a contenção da propagação do vírus, sobretudo na fase de grande incerteza que vivíamos e com unidades de saúde muito frágeis.
É claro que foram também cometidos erros, e que tal como se pode, e deve, elogiar o que corre bem, também se pode, e deve, questionar o não corre bem ou as incongruências que saltam à vista de todos, o que deveria acontecer sem que os “protegidos” do poder logo se indignem, fazendo parecer que nos Açores foi acrescentado um crime da maior gravidade ao código penal: o crime de “questionar”.
As pessoas que enaltecem os bons resultados globais, não podem – ou devem – questionar a autorização para o célebre avião chinês aterrar nos Açores e os passageiros irem passear para o centro comercial, depois de ter sido proibido de aterrar em vários países? Ou questionar a relação entre o que aconteceu no lar do Nordeste e o Hospital de Ponta Delgada? Ou perguntar por que razão durante mais de um mês as grávidas e outros cidadãos das Flores e do Corvo com destino ao Hospital da Horta tinham que atravessar o arquipélago e dormir em São Miguel, para no dia seguinte voltarem a atravessar o arquipélago para chegar ao Faial?
Os detentores de cargos públicos têm o dever de esclarecer a população. E quando perdem a vontade de esclarecer as pessoas, com verdade e transparência, então está na hora de repensarem a sua atividade.

3. Como está a Região?
Nestas quatro décadas de Autonomia, foi feito um grande investimento em unidades de saúde, portos, aeroportos, escolas e outros equipamentos sociais, quartéis de bombeiros, infraestruturas rodoviárias e de outra natureza, que permitiram melhorar a vida dos açorianos.
A Autonomia fez o seu caminho, com resultados claramente positivos.
No entanto, não se pode aceitar a sua estagnação ou regressão, pois este caminho não está, nem nunca estará terminado.
O espaço deste artigo não permite analisar em profundidade os vários indicadores, mas ainda assim alguns dados publicados pelo Instituto Nacional de Estatística e o próprio diagnóstico governamental que sustenta a Estratégia de Combate à Pobreza e Exclusão Social dão nota negativa aos Açores em indicadores como a taxa de pobreza, o insucesso escolar e abandono escolar precoce, gravidez na adolescência, dependências, violência doméstica, entre muitos outros.
Os Açores têm graves problemas sociais, empresas públicas falidas e um tecido económico em sérias dificuldades.
A visão centralista da governação da Região tem provocado, ainda, um afastamento dos níveis de desenvolvimento das diferentes ilhas.
As políticas seguidas nos últimos anos indicam de forma clara que, sem o assumir publicamente, o partido no poder abandonou o princípio do desenvolvimento harmónico da Região. A maior parte das ilhas está a ficar para trás e o risco de desertificação aumenta dia após dia, ano após ano.
O modelo de desenvolvimento dos Açores é, por isso, o elemento central do debate que tem que ser feito sobre o futuro da Região.

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