O discurso da Glória

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TI
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Estou eu de regresso à trilogia das barcas de Gil Vicente. Desta feita, vou utilizar, como recurso para o meu discurso, o “Auto da Barca da Glória”, que completa este ano 500 anos de existência.
A ideia de Gil Vicente, nesta obra, foi colocar os poderosos deste mundo a responder pelos pecados. O próprio Gil Vicente põe o Diabo a dizer à Morte que esta só lhe traz os pobrezinhos: “homens e mulheres do povo matas tu quantos te apetece”. Queixa-se que nas primeiras viagens das barcas quase não lhe chegaram ricos e poderosos. A Morte responde-lhe, com sorna, que “esses têm mais esconderijos que os lagartos”.
A verdade é que a Morte acaba por prometer ao Diabo que lhe trará um bom elenco de poderosos. E cumpriu! Chegam então, para o julgamento infernal, os poderosos.
Algumas advertências. Simplifi-quei o relato para tornar o discurso mais eficaz. Os condenados (os mortos) chegam-me diretamente. Não existem apelos e choraminguices dos condenados aos anjos. Sou só eu e os infelizes condenados. Modifiquei um pouco a narrativa final. O “Auto da Barca da Glória” foi demasiado indulgente com os poderosos, por isso é que não atingiu a glória que merece. Eu serei muito mais rigoroso. A minha ideia é condenar o Governo todo ao Inferno.

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